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Rússia começa a retirar tropas da fronteira com Ucrânia

Informação foi confirmada por Putin em telefonema a Angela Merkel; Medvedev desembarca na Crimeia e anuncia planos econômicos para a região

O Estado de S. Paulo

31 de março de 2014 | 19h24

MOSCOU - Enquanto mantém o diálogo com outros países sobre a crise na Crimeia, a Rússia começou a retirar na segunda-feira, 31, algumas tropas da fronteira leste da Ucrânia. Em um telefonema à chanceler alemã, Angela Merkel, o presidente russo, Vladimir Putin, disse ter ordenado a remoção parcial de soldados da região.

A informação foi confirmada em um comunicado do gabinete de Merkel, em Berlim. Na Rússia, a agência Interfax noticiou que um batalhão motorizado russo retornou para sua base na região de Samara, no Rio Volga, após exercícios na fronteira ucraniana. A informação foi atribuída ao Ministério da Defesa.

O reforço militar russo nas fronteiras leste e sul da Ucrânia foi ordenado ao mesmo tempo em que forças da Rússia ocuparam a Crimeia, no mês passado. Putin advertiu, na época, que Moscou se reservava o direito de defender os cidadãos que falam russo na Ucrânia, causando preocupação em Kiev pela perspectiva de uma invasão militar.

No campo diplomático, o secretário de Estado americano, John Kerry, e seu colega russo, Serguei Lavrov, voltaram a discutir, por telefone, a crise ucraniana. No domingo à noite, os dois se encontraram em Paris para falar sobre o tema, mas não houve avanços.

Para a chanceler alemã, porém, as conversações entre as potências e Moscou começam a surtir efeito. "Tenho a impressão de que um processo de reflexão teve início na Rússia", declarou Merkel em um evento público em Berlim. "Nós também gostaríamos de ter uma Rússia mais próxima da Europa, se ela jogar de acordo com as regras."

O comunicado alemão esclareceu ainda que Putin e Merkel trataram sobre "possíveis futuros passos rumo a estabilização na Ucrânia e na Transdniéstria" - região separatista pró-Rússia na Moldávia.

Por sua vez, o gabinete de Putin disse, em um comunicado, que os dois líderes concordaram em continuar uma "cooperação próxima". O texto afirma que o presidente russo expressou a necessidade de uma "reforma constitucional" na Ucrânia que também reflita os interesses dos cidadãos de língua russa na região.

No entanto, ao mesmo tempo em que discute com líderes internacionais a crise ucraniana, a Rússia reforça seu controle sobre a Crimeia. Nesta segunda, o primeiro-ministro russo, Dmitri Medvedev, desembarcou na região e anunciou planos para transformá-la em uma zona econômica especial.

Promessas

Logo depois de pousar na capital da Crimeia, Simferopol, Medvedev fez uma reunião de governo com vários ministros que o acompanhavam, apresentando propostas para estimular a precária economia da região.

"Nosso objetivo é tornar a península atraente para possíveis investidores, para que ela possa gerar renda suficiente para o seu próprio desenvolvimento. Há oportunidades para isso - levamos tudo em consideração", disse ele na reunião, transmitida pela TV, com bandeiras da Rússia atrás de sua mesa.

Medvedev apresentou medidas para elevar os salários dos 140 mil funcionários públicos, transformar a região em polo turístico, proteger as ligações energéticas da Rússia com a península e melhorar estradas, ferrovias e aeroportos.

A anexação da Crimeia e de seus 2 milhões de habitantes cria um ônus adicional para a Rússia. No entanto, as declarações de Medvedev indicam que o Kremlin espera que a Crimeia se torne rapidamente autossuficiente. O premiê disse ver "perspectivas colossais" para o turismo na península do Mar Negro. / NYT e REUTERS

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