Rússia condena professores por espionagem à China

Um tribunal russo condenou nesta quarta-feira dois professores de uma universidade de São Petersburgo por entregarem segredos sobre mísseis para a China, no mais recente caso de espionagem que reflete as tensões entre Moscou e Pequim, apesar das declarações de cooperação e parceria. O Tribunal da Cidade de São Petersburgo condenou os professores universitários Yevgeny Afanasyev e Svyatoslav Bobyshev por traição e os sentenciou a 12 anos e meio e 12 anos de prisão, respectivamente, informou a agência de notícias Interfax.

AE, Agência Estado

20 de junho de 2012 | 14h24

Os dois professores da Universidade Tecnológica Báltica de São Petersburgo foram acusados de venderem segredos e informações confidenciais relacionadas ao teste de mísseis intercontinentais balísticos disparados por submarinos, chamados Bulava (clava, em russo), a pessoas da inteligência militar da China. Os dois homens estão detidos desde março de 2010.

Após décadas de rivalidades na era da Guerra Fria, Moscou e Pequim começaram a desenvolver o que chamam hoje de "parceria estratégica" a partir de 1991. A China também virou uma grande cliente da indústria russa de armamentos, embora as exportações russas tenham se reduzido nos últimos anos na medida em que a China começou a produzir localmente vários armamentos licenciados pela indústria russa.

A Rússia tem evitado vender à China sua tecnologia militar mais recente e um certo número de cientistas russos foram condenados por espionagem nos últimos anos. O Bulava, projetado para equipar uma nova geração de submarinos nucleares russos, sofreu uma série de fracassos durante a fase de desenvolvimento, mas os últimos lançamentos foram bem-sucedidos.

Em maio, um operário de uma fábrica russa de armamentos nos Urais foi sentenciado a oito anos de prisão por vender informações sobre o Bulava para espiões estrangeiros.

A Interfax disse que o tribunal considerou os professores culpados por passarem informações à inteligência chinesa em 2009, quando fizeram uma viagem à China. Os dois teriam passado detalhes sobre um teste de disparo do Bulava a partir de um submarino nuclear. A Interfax também informou que a espionagem chinesa estava atrás de informações sobre os mísseis russos Iskander e Topol-M. Esse último é um míssil interbalístico de disparo terrestre, de três estágios, e foi desenvolvido pelos russos após o fim da União Soviética em 1991.

As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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