Haberturk TV / AP
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Piloto russo diz que não recebeu alerta turco

De acordo com o ministro de Defesa russo, piloto foi resgatado ‘são e salvo’; comandante que morreu baleado após se ejetar será condecorado com o título de Herói da Rússia

O Estado de S. Paulo

25 de novembro de 2015 | 08h34

(Atualizada às 19h33) MOSCOU - Tropas russas e sírias que combatem pelo regime de Bashar Assad resgataram nesta quarta-feira, 25, o navegador do caça Sukhoi Su-24 abatido pela Força Aérea da Turquia na terça-feira. Em suas primeiras declarações, o militar russo afirmou que, ao contrário do que diz o governo da Turquia, não houve nenhuma advertência sobre uma incursão no espaço aéreo do país. O primeiro piloto, que saltou de paraquedas junto com seu companheiro, foi atingido por um míssil e morreu durante o pouso.

“Na realidade, não houve nenhuma advertência, nem por rádio, nem visual. Nem sequer houve algum contato. Por isso, tomamos rumo de ataque”, disse o capitão Konstantin Murakhtin. “Pude ver perfeitamente pelo mapa e pelo território (que o avião sobrevoava) onde estava a fronteira e onde nós estávamos. Nem sequer havia ameaça de entrar na Turquia, todo o voo estava sob meu controle até o momento da explosão do avião.”

O navegador, que se ejetou após o impacto do míssil, ainda afirmou que ele e seus companheiros conheciam a região como a palma da mão. “Eu, como navegador, conheço praticamente cada protuberância do terreno. Posso me orientar até mesmo sem equipamentos eletrônicos”, acrescentou. “É preciso levar em conta a velocidade de um bombardeiro e a de um caça F-16. Se quisessem nos advertir, podiam ter se mostrado se posicionando em paralelo. Mas não houve nada disso.”

As Forças Armadas da Turquia, por sua vez, divulgaram hoje um áudio no qual o comando aéreo militar pede aos pilotos do Sukhoi que alterem seu plano de voo. “Mudem seu trajeto”, diz a gravação. 

Segundo o ministro de Defesa da Rússia, Serguei Shoigu, a operação de resgate do navegador foi concluída com sucesso e o piloto foi levado à Base de Latakia são e salvo. 

Na terça-feira, tinham sido dadas informações contraditórias sobre o paradeiro dos dois tripulantes do caça-bombardeiro russo. Mas a Rússia confirmou a morte do piloto, atingido por disparos feitos do solo. 

Os dois lados também divergiram hoje sobre o trajeto que o caça russo teria feito. A Defesa da Rússia divulgou um mapa com a rota que, segundo os russos, tinha sido percorrida pelo Su-24 antes de ser abatido por um míssil. O trajeto diverge profundamente do divulgado na terça-feira pela Turquia. 

Shoigu acrescentou que informou o presidente russo, Vladimir Putin, sobre o sucesso da operação e o líder transmitiu suas felicitações a todos os soldados que participaram dela. O chefe do Kremlin anunciou que o comandante do bombardeiro será condecorado postumamente com o título de Herói da Rússia, maior distinção concedida no país.

Segundo informações do Observatório Sírio de Direitos Humanos, o piloto que sobreviveu foi transferido para o aeroporto militar de Jmeimim, na província de Latakia, no noroeste da Síria. Um porta-voz rebelde, Yahed al-Ahmad, da opositora Brigada Décima do Litoral, pertencente ao moderado Exército Livre Sírio (ELS), disse que seus combatentes haviam recuperado o corpo de um dos dois pilotos, que "já estava morto quando chegou ao solo".

Putin disse ainda que não exclui novos incidentes com a Turquia após o abate do bombardeiro russo e alertou que Moscou reagirá "de uma forma ou de outra". "Depois do ocorrido ontem, não podemos descartar outros incidentes. E, se eles ocorrerem, reagiremos de uma forma ou de outra. Nossos cidadãos que estão na Turquia podem correr um sério perigo", afirmou Putin.

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, disse que o país não quer nenhum agravamento nas relações. “Não temos intenções de agravar este incidente. Estamos somente defendendo nossa segurança", declarou. A Turquia, que apoia a oposição síria, notificou ontem por escrito o Conselho de Segurança da ONU sobre a derrubada do avião após uma "suposta violação de seu espaço aéreo". 

Desde 30 de setembro a Rússia, aliada do regime de Bashar Assad, realiza uma campanha de bombardeios na Síria contra o Estado Islâmico em sua primeira intervenção militar no país árabe.

Repercussão. A derrubada do avião militar russo afetou o processo de solução política na Síria e tudo deve ser feito para evitar um agravamento da crise, disse a chanceler alemã, Angela Merkel, nesta quarta-feira.

"A situação foi agravada pela derrubada de um avião russo pela Turquia", disse Merkel em discurso na câmara baixa do Parlamento, em referência à situação na Síria. "Precisamos fazer de tudo para evitar uma agravamento".

"É claro que todo país tem o direito de defender seu território, mas sabemos o quão tensa a situação está na Síria e nos arredores. Falei ontem com o premiê turco e lhe pedi para fazer tudo para desagravar a situação", acrescentou. / EFE e REUTERS

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