REUTERS/Sergei Karpukhin
REUTERS/Sergei Karpukhin

Rússia convoca embaixadores para reunião sobre caso de ex-espião, mas britânico não comparece

Moscou disse que usaria encontro com representantes dos Estados estrangeiros para explicar seu ponto de vista sobre o ataque a Serguei Skripal e sua filha, Yulia, na cidade britânica de Salisbury; diplomata de Londres informou que não participaria da reunião

O Estado de S.Paulo

21 Março 2018 | 10h37

MOSCOU - A Rússia convocou para esta quarta-feira, 21, os embaixadores estrangeiros credenciados em seu território para explicar seu ponto de vista sobre o caso de Serguei Skripal, ex-agente duplo envenenado na Inglaterra junto com sua filha, Yulia. O embaixador do Reino Unido país informou, no entanto, que não compareceria à reunião no ministério russo das Relações Exteriores.

'Se fosse um ataque russo, eles estariam mortos', diz criador de veneno usado no Reino Unido

Esta decisão foi criticada pelo Kremlin, que a entendeu como um indicativo de que Londres não quer ouvir sua versão sobre o ocorrido. Moscou levaria para a reunião "autoridades e especialistas do departamento responsável pelas questões de não-proliferação e controle de armas" do ministério russo das Relações Exteriores, segundo a porta-voz do ministério, Maria Zakharova.

"O ponto de vista russo será exposto aos representantes oficiais dos Estados estrangeiros. Suas possíveis perguntas serão respondidas e a Rússia formulará suas próprias questões" neste caso, apontou.

Zakharova destacou que a Rússia já explicou a postura do país sobre o caso no Conselho de Segurança da ONU, na Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) e na Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE).

Três ônibus deixam embaixada russa com diplomatas expulsos do Reino Unido

"Infelizmente, até agora, apesar das várias solicitações ao Reino Unido, ninguém sabe que substância foi utilizada em Salisbury", afirmou Zakharova, citando a cidade onde Skripal foi envenenado.

O envenenamento de Skripal provocou uma grave crise nas já tensas relações entre Moscou e os países ocidentais e resultou na expulsão de 23 diplomatas russos do território britânico e na suspensão dos contatos bilaterais.

Em resposta, a Rússia, que defende sua inocência, anunciou a expulsão de diplomatas britânicos e pôs fim às atividades do British Council, a organização internacional do Reino Unido para relações culturais e educacionais.

A primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, afirmou que Skripal e sua filha foram envenenados com o agente tóxico de fabricação russa "novichok" e acusou o Kremlin pelo ocorrido. Após vencer as eleições no domingo, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou que a Rússia não possui esse agente.

Entenda as sanções impostas por Londres a Moscou por envenenamento de ex-espião

"Não temos esses meios na Rússia. Nós destruímos todo o nosso arsenal químico sob a supervisão de observadores internacionais. Se fosse uma substância tóxica para a guerra, as pessoas morreriam no ato. É isso que nos vêm à cabeça", explicou Putin.

"Qualquer pessoa comum entende que é uma tolice, um delírio, algo sem sentido que alguém na Rússia permita tais atos nas vésperas das eleições presidenciais e da Copa do Mundo", afirmou o presidente. "É totalmente impensável", frisou Putin.

O vice-ministro de Relações Exteriores da Rússia, Serguei Riabkov, reiterou nesta quarta a postura do Kremlin, ao afirmar que o país, mesmo na União Soviética, nunca desenvolveu a substância novichok.

Por outro lado, cientistas russos que trabalhavam na época da Guerra Fria desmentiram essas afirmações oficiais e garantiram que a Rússia desenvolveu o novichok e não descartaram a possibilidade de o componente ser sintetizado em outros países. / AFP e EFE

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.