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Alexander Zemlianichenko/AP
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Rússia convoca seu embaixador nos EUA após Biden acusar Putin de ser um 'assassino'

Moscou ressalta, porém, que deseja evitar uma 'deterioração irreversível' das relações; Departamento de Estado americano diz ter tomado nota da medida russa

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de março de 2021 | 22h47

WASHINGTON - Moscou convocou seu embaixador em Washington, nesta quarta-feira, 17, depois que o presidente Joe Biden chamou o líder russo, Vladimir Putin, de "assassino", desencadeando a primeira grande crise diplomática para o novo inquilino da Casa Branca.

Em entrevista à rede americana ABC News, Biden foi questionado sobre um relatório da inteligência dos Estados Unidos segundo o qual o presidente russo tentou minar sua candidatura nas eleições de novembro de 2020 e promover a de Donald Trump. "Logo verão o preço que ele vai pagar", disse Biden.

Questionado se acreditava que Putin, acusado de ordenar o envenenamento do líder da oposição Alexei Navalni e de outros oponentes políticos, é um "assassino", Biden respondeu: "Acho que sim".

A entrevista foi ao ar enquanto o Departamento de Comércio dos Estados Unidos anunciava o aumento das restrições às exportações impostas à Rússia no início deste mês como punição pelo envenenamento de Navalni.

A Rússia respondeu convocando seu enviado a Washington para consultas sobre seus laços com os Estados Unidos, mas ressaltou que deseja evitar uma "deterioração irreversível" das relações.

"O embaixador russo em Washington, Anatoly Antonov, foi convidado a vir a Moscou para consultas com o objetivo de analisar o que deve ser feito e aonde ir no contexto das relações com os Estados Unidos", explicou o Ministério das Relações Exteriores da Rússia em um comunicado.

A porta-voz da chancelaria russa, Maria Zakharova, afirmou que as relações entre os dois países "estão em um estado difícil, que Washington levou a um beco sem saída nos últimos anos". "Estamos interessados em prevenir sua degradação irreversível, se os americanos estiverem cientes dos riscos associados", reiterou.

O vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Ryabkov, disse à agência RIA Novosti que "a responsabilidade pela maior deterioração dos laços russo-americanos é inteiramente dos Estados Unidos".

Em Washington, o Departamento de Estado tomou nota da medida russa, dizendo que os EUA "manterão os olhos abertos para os desafios apresentados pela Rússia".

Por enquanto, porém, os EUA  não têm planos de retirar seu próprio embaixador de Moscou, afirmou uma porta-voz do Departamento de Estado à agência France Presse, na esperança de manter "abertos canais de comunicação com o governo russo" em um esforço para "promover os interesses americanos e reduzir os risco de erros de cálculo entre nossos países".

Questionada sobre se os comentários de Biden são literais ou metafóricos, a porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, disse que Biden "não contém suas preocupações" sobre "ações maliciosas e problemáticas", citando a interferência eleitoral, o envenenamento de Navalni, os ciberataques e recompensas ao Taleban por matar soldados americanos no Afeganistão.

"Não vamos fazer vista grossa, como fizemos nos últimos quatro anos", declarou a porta-voz. "Desde seu primeiro telefonema com o presidente Putin, o presidente Biden deixou claro que os EUA também responderão a uma série de ações desestabilizadoras."

Biden disse à ABC News que teve uma "longa conversa" com Putin após assumir o cargo em janeiro. "Eu disse a ele: 'conheço você e você me conhece. Se ficar confirmado que isso aconteceu, se prepare'", contou.

As avaliações de Biden contrastam fortemente com a firme recusa de Trump em dizer qualquer coisa negativa sobre Putin.

Em uma entrevista à Fox News em 2017, questionado se Putin era um "assassino", Trump respondeu: "Existem muitos assassinos. Acha que nosso país é tão inocente?"

'Conhecer uns aos outros'

Apesar do que pensa sobre o líder russo, Biden afirmou que "há temas nos quais é de interesse mútuo trabalharmos juntos". "É por isso que renovei o acordo Start com ele", disse ele sobre o tratado nuclear, algo que considerou "de interesse da humanidade".

Segundo Biden, ao lidar com "uma grande quantidade" de líderes durante sua carreira política de quase cinco décadas, incluindo oito anos como vice-presidente de Barack Obama, ele aprendeu que o mais importante é "simplesmente conhecer uns aos outros".

As opiniões de Biden foram questionadas por Viacheslav Volodin, presidente da câmara baixa do Parlamento russo. "Biden insultou os cidadãos de nosso país", disse Volodin. "Os ataques contra (Putin) são ataques contra nosso país."

Moscou também rejeitou nesta quarta-feira que a Rússia tenha atingido a infraestrutura eleitoral dos EUA em 2020. "É absolutamente infundado", declarou o porta-voz do Kremlin, Dimitri Peskov, chamando a acusação de uma "desculpa" para impor novas sanções./AFP e AP

 

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