Rússia cortará gás para Ucrânia

Presidente da estatal russa Gazprom anuncia fracasso das negociações

Reuters, Moscou, O Estadao de S.Paulo

31 de dezembro de 2008 | 00h00

A Gazprom, estatal que detêm o monopólio da exportação de gás na Rússia, anunciou ontem o fracasso das negociações com o governo ucraniano e o consequente corte total do fornecimento do produto para a Ucrânia a partir das 5 horas de hoje, no horário de Brasília.O anúncio foi feito ontem pelo presidente da companhia, Alexei Miller, que ressaltou que fará o possível para que o corte não afete os países europeus, que dependem da Ucrânia como ponto de passagem do produto. "Toda a responsabilidade recai sobre a parte ucraniana", disse Miller.O corte foi provocado pela falta de um acordo entre sobre os valores fixados para o suprimento de gás ao longo do ano de 2009 e pelo não pagamento de uma dívida de US$ 2,1 bilhões que os ucranianos teriam com a companhia.O corte no suprimento poderia ter um impacto negativo na imagem da Rússia como um fornecedor confiável do produto, especialmente numa época de crise econômica global e queda no preço do petróleo.Para a Ucrânia, o impacto seria relativo, considerando que o país mantém estoques de gás equivalentes a 22% de seu consumo anual. Além disso, a crise global abaixou o consumo de gás industrial na Ucrânia, o que reduziu sua demanda por suprimento do produto.HISTÓRICOAs relações da Rússia com os países por onde passam os dutos que escoam petróleo e gás natural, principalmente para a Europa, são frequentes.Esses conflitos beneficiam o plano da Rússia de impedir que os investidores ocidentais aumentem seu envolvimento na produção e transmissão de energia do Mar Cáspio para a Europa. Cerca de 80% das exportações de gás da Rússia para os países europeus passam pela Ucrânia, que, em 2006, já tinha passado por uma disputa semelhante. Na época, também foram afetadas as exportações para a Europa, que recebe da Rússia 25% do gás que consome.

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