Justin Tallis/AFP
Justin Tallis/AFP

Rússia critica decisão britânica de aumentar arsenal nuclear

Na terça, o primeiro-ministro britânico Boris Johnson anunciou no Parlamento que o Reino Unido aumentará o teto de seu arsenal nuclear até um máximo de 260 ogivas, o que representa um aumento de quase 45%

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de março de 2021 | 09h13

A Rússia denunciou nesta quarta-feira, 17, a decisão do governo britânico de aumentar seu arsenal nuclear, algo que não acontecia desde o fim da União Soviética.

"Lamentamos muito que o Reino Unido tenha optado pelo caminho do aumento de suas armas nucleares", afirmou o porta-voz da presidência russa, Dmitri Peskov. "Esta decisão prejudica a estabilidade mundial e a segurança estratégica", completou.

"A existência de armas nucleares é uma ameaça para a paz em toda a Terra", disse Peskov.

Na terça-feira, o primeiro-ministro britânico Boris Johnson anunciou no Parlamento, ao apresentar um relatório sobre defesa, segurança e relações exteriores, que o Reino Unido aumentará o teto de seu arsenal nuclear até um máximo de 260 ogivas, o que representa um aumento de quase 45%.

O relatório apresentado por Johnson aponta a Rússia como grande ameaça para o país.

Nos últimos anos as relações entre os dois países se deterioraram, devido em particular aos envenenamentos em território britânico de opositores russos.

"Nenhuma ameaça emana da Rússia", respondeu Peskov, que considera "inaceitável" afirmar o contrário.

O anúncio do Reino Unido sobre seu arsenal nuclear encerra um desarmamento progressivo implementado desde o colapso da URSS há 30 anos.

Esta mudança de rumo - após o compromisso assumido pelo Reino Unido em 2010 para reduzir seu arsenal até meados da década de 2020 - se justifica por uma "crescente gama de ameaças tecnológicas e doutrinária", afirma o documento britânico.

A decisão britânica segue no sentido contrário aos objetivos internacionais de luta contra a proliferação, poucas semanas depois do anúncio da prorrogação de um tratado entre Estados Unidos e Rússia para limitar as armas nucleares./ AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.