REUTERS/Jonathan Ernst
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Rússia critica declarações de Trump sobre possível aliança do Brasil com Otan

Vice-chanceler do país afirmou que promessa do presidente americano contribui para manter 'ambiente de confronto' na organização e ressalta que países latinos não podem ser admitidos na Organização do Tratado do Atlântico Norte, segundo carta de fundação da Aliança

Beatriz Bulla, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

27 de março de 2019 | 10h30

A Rússia criticou nesta quarta-feira, 27, o fato de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter afirmado que, além de designar o Brasil como aliado preferencial fora da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), poderia pensar em trabalhar para que o País seja um membro pleno da aliança militar. A sugestão foi feita na visita do presidente Jair Bolsonaro à Casa Branca, no dia 19. Ele disse que que designaria "o Brasil como um aliado estratégico fora da Otan. Para os russos, esse tipo de declaração de Trump não favorece a distensão de confrontos no mundo.

Em um evento, o vice-chanceler russo, Alexander Grushko, sugeriu que Trump estava agindo para conquistar vantagens “unilaterais” na tentativa de remodular um mundo “multilateral”. “Este tipo de declaração não é propícia para desarmar um ambiente de confronto”, disse Grushko, segundo a agência oficial RIA Novosti. De acordo com Moscou, a sugestão de Trump evidencia que segue viva a política encaminhada à formação de uma ordem mundial similar à existente no século passado.

A Rússia ficou incomodada com o fato de Trump ter sugerido que o Brasil deveria se tornar um membro pleno da Otan. A possibilidade de que o Brasil se torne um membro pleno da aliança militar foi discutido por Trump no almoço oferecido na Casa Branca ao presidente Jair Bolsonaro. A entrada na Otan como membro pleno acarretaria em custos para o Brasil. 

Grushko disse que, segundo o Tratado do Atlântico Norte, a carta de fundação da aliança, os países latino-americanos não podem ser admitidos. “Não está claro, se (Trump) leu o Tratado de Washington, concretamente o Artigo 10 sobre quais Estados podem fazer parte do bloco”, afirmou.

Em Washington nesta semana, o ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva, falou sobre a designação como aliado extra-Otan com o assessor de Segurança Nacional dos EUA, John Bolton. Ele afirmou que a novidade pode representar uma “facilidade burocrática”, mas reduziu a importância da designação para os militares.

Benjamin Gedan, ex-diretor para América do Sul no Conselho de Segurança Nacional dos EUA e atual integrante do programa de América Latina do centro de estudo Wilson Center, vê a designação do Brasil como um tema controvertido, mas pelo qual o Brasil deve batalhar. Para o especialista, a ideia de ter laços militares mais fortes faz com que o relacionamento “transcenda dinâmicas diplomáticas voláteis”.

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