Martin Alipaz/Efe
Martin Alipaz/Efe

Rússia critica países europeus por ação contra Morales

Para Moscou, o fechamento do espaço aéreo colocou em risco a vida do presidente boliviano

Agência Estado

04 de julho de 2013 | 12h29

MOSCOU - A Rússia criticou os países europeus que bloquearam o voo de Moscou para La Paz do presidente boliviano, Evo Morales, devido a suspeitas que o ex-funcionário da CIA e de uma empresa que presta serviços para o governo dos EUA Edward Snowden estivesse a bordo.

"Dificilmente a ação das autoridades da França, Espanha e Portugal pode ser vista como um passo amigável em relação à Bolívia ou Rússia", disse o Ministério das Relações Exteriores russo em um comunicado.

O avião que transportava Morales foi forçado a pousar em Viena depois que vários países europeus negaram seus direitos de sobrevoo.

Ao chegar em casa na noite de quarta-feira, Morales instou os países europeus a "libertaram-se do império americano". O presidente boliviano disse em Moscou, na terça-feira, que a Bolívia iria considerar o pedido de asilo político de Snowden, um comentário que despertou aparentemente o interesse europeu.

Analistas de segurança em Moscou disseram que Morales não poderia ter levado Snowden mesmo se ele quisesse porque o fugitivo dos EUA está na área de trânsito no aeroporto internacional de Sheremetyevo e não passou pelo controle de passaporte russo.

O avião de Morales partiu de outro aeroporto internacional, localizado na outra extremidade de Moscou e chamado de Vnukovo. O aeroporto é usado principalmente por visitantes dignitários e funcionários do governo russo.

O governo boliviano acusou os países europeus de colocarem a vida de Morales em perigo, um comentário ecoado pelo Ministério das Relações Exteriores da Rússia. "O bloqueio de direitos de voo para a aeronave poderia ter criado uma ameaça à segurança dos passageiros a bordo, incluindo o presidente do país", disse o ministério.

Snowden não pediu asilo político na Rússia e decisões sobre seu futuro não cabiam à Rússia, disse o vice-ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Ryabkov, segundo a agência de notícias Interfax. "Snowden não pediu asilo político até agora. Nós acreditamos que sem a decisão dele de uma forma ou de outra sobre o que ele acredita ser a melhor saída, não podemos decidir nada para ele."  Um funcionário consular da Rússia havia dito que Snowden pediu asilo, mas no dia seguinte retirou o pedido após o presidente Vladimir Putin dizer que ele seria autorizado a permanecer na Rússia, mas somente se parasse de vazar detalhes de programas altamente secretos de vigilância dos EUA.

Depois disso, o ex-técnico da CIA enviou pedidos de asilo para 19 países, muitos dos quais rejeitaram a solicitação ou deram respostas frias. Só Venezuela e Bolívia sugeriram estar dispostos a receber Snowden./ AP e DOW JONES

Tudo o que sabemos sobre:
BolíviaEvo MoralesRússia

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.