Rússia critica possíveis sanções por apoio a eleições no leste da Ucrânia

Moscou afirma que líderes eleitos em Luhansk e Donetsk têm 'mandato' para negociar com Kiev 

O Estado de S. Paulo

03 de novembro de 2014 | 14h35

MOSCOU - O vice-chanceler russo, Grigory Karasin, disse nesta segunda-feira, 3, que os líderes rebeldes recém-eleitos em regiões separatistas do leste da Ucrânia têm um "mandato" para negociar com Kiev, de acordo com a agência de notícias Interfax.

"Os representantes eleitos das regiões de Donetsk e Luhansk obtiveram um mandato para conduzir negociações com as autoridades centrais ucranianas na resolução de problemas pela via do diálogo político", disse Karasin.

Ele repercutiu um comunicado do Ministério das Relações Exteriores, no qual a Rússia diz que respeitará "a vontade do povo do sudeste" da Ucrânia, segundo a Interfax.

Para Karasin, é "evidente" que os habitantes da zona do conflito "querem uma vida estável e tranquila". "Agora é importante tomar medidas para que o diálogo entre Kiev e os representantes do Donbass (bacia mineradora das regiões separatistas) avance, e nós estamos dispostos a contribuir para isso", acrescentou.

Sanções. Moscou repudiou nesta segunda as possíveis sanções ocidentais por reconhecer as eleições separatistas. "As sanções são um método de solução de conflitos absolutamente contraproducente. Isso foi demonstrado ao longo da história", declarou Karasin.

As eleições de domingo foram convocadas pelas repúblicas populares de Donetsk e Luhansk para escolher seus líderes e os integrantes de seus Legislativos. Foram eleitos os separatistas que já lideram as repúblicas pró-Rússia desde agosto: Aleksandr Zakharchenko, em Donetsk, e Igor Politnitski, em Luhansk.

Legalidade. Para Kiev, a votação é ilegal, pois a lei de autogoverno que concede aos insurgentes três anos de autonomia já contemplava essa possibilidade ao convocar eleições locais nas zonas rebeldes para o dia 7 de dezembro.

O Ocidente considera que as eleições separatistas colocam em perigo a aplicação dos acordos de Minsk, que contemplam, entre outras coisas, uma declaração de cessar-fogo e a criação de uma zona desmilitarizada. /EFE e REUTERS

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