Rússia defende Irã de acusações americanas

Numa resposta aos Estados Unidos, o vice-chanceler russo Alexander Losyukov disse que não existem evidências de que o Irã tenha tentado obter armas nucleares, em violação a um regime internacional de não-proliferação. Losyukov contradisse as acusações contra o Irã levantadas pelo subsecretário de Estado dos EUA, John Bolton. O americano tentava persuadir autoridades russas a reconhecerem que Teerã possui um programa clandestino de armas nucleares.Os Estados Unidos estão em busca do apoio da Rússia para um relatório da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) com críticas aos esforços iranianos. A AIEA é subordinada à ONU."São necessárias evidências muito claras para se acusar alguém. Nem os Estados Unidos nem outros países estão em condições de apresentá-las", alertou Losyukov, citado pela agência de notícias Interfax. Losyukov admitiu a existência de algumas "incertezas" com relação ao programa nuclear iraniano. Ele anunciou que Moscou trabalhará junto a Teerã com o objetivo de "ampliar a transparência" do programa.Com relação à cooperação nuclear entre Rússia e Irã, Losyukov garantiu que o trabalho transcorre em "estrita obediência às normas da AIEA".A cooperação nuclear da Rússia com o Irã é um tema espinhoso nas relações entre Washington e Moscou. Os EUA reclamam que a tecnologia e o conhecimento agregados ao Irã com a construção da usina de energia nuclear de Bushehr - um projeto de US$ 800 milhões, apoiado pela Rússia - poderiam ser posteriormente utilizados para o desenvolvimento de um programa de armas.O governo americano alega ainda que empresas russas - provavelmente sem autorização governamental - estariam envolvidas na transferência para o Irã de tecnologia para a construção de armas. Com relação à Coréia do Norte, Losyukov voltou a contradizer Bolton ao comentar que existe uma "grande divisão entre os dois países sobre as questões norte-coreana e iraniana".

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