Rússia define pena para roqueiras críticas a Putin

Promotoria pede 3 anos de prisão para cantoras em caso símbolo da repressão a dissidentes; sentença sai hoje

MOSCOU, O Estado de S.Paulo

17 de agosto de 2012 | 03h08

Se qual for o veredicto anunciado hoje pela Justiça russa para as integrantes da banda punk Pussy Riot, o presidente Vladimir Putin já deu sinais de que não aceitará as críticas da dissidência. Analistas dizem que Nadezhda, Yekaterina Samutsevich e Maria Alyokhina devem ser condenadas. A promotoria pede três anos de prisão para as roqueiras. No Kremlin, no entanto, acredita-se que a pena seja de pelo menos um ano e meio de cadeia.

Em fevereiro, a banda fez uma performance no altar da Catedral do Cristo Salvador, em Moscou, entoando uma "oração punk" que protestava contra Putin. Elas foram presas dias depois.

"Não estão julgando três cantoras, mas sim o sistema estatal da Federação Russa", disse Tolokonnikova, uma das três acusadas de vandalismo motivado por ódio religioso depois da apresentação na principal catedral ortodoxa da capital da Rússia.

Putin está ciente do risco de parecer intolerante. Disse aos jornalistas que elas não devem ser julgadas tão severamente e, por mais que tenha insistido que cabe ao tribunal determinar o veredicto, poucas pessoas acreditam nisso. "A decisão, certamente, não será tomada no tribunal, como em qualquer caso político proeminente na Rússia" disse Masha Lipman, analista do Centro Carnegie de Moscou

Uma sentença dura aumentaria as críticas a Putin no exterior e pode incentivar os jovens russos a abraçar os protestos opositores. Entretanto, uma pena mais branda pode arriscar o apoio das autoridades religiosas ortodoxas e dessa parcela do eleitorado. "Putin não pode demonstrar fraqueza. Diante do risco de perder ainda mais força, ele manterá a repressão", disse Masha.

Repressão. Nos primeiros 100 dias no cargo, Putin aprovou leis para reforçar o controle sobre a internet, criando uma lista de sites proibidos, permitiu a aplicação de altas multas para manifestantes opositores e definiu que as ONGs que receberem financiamento do exterior serão consideradas "agentes estrangeiros".

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