AP Photo/Ivan Sekretarev
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Relação com a Rússia está em nível baixo e perigoso, diz Trump

Presidente americano culpou o Congresso do país, que aprovou na semana passada novas sanções contra os russos, pela deterioração nas relações entre Washington e Moscou; premiê Dmitri Medvedev diz que americanos declararam 'guerra econômica'

O Estado de S.Paulo

03 Agosto 2017 | 10h32
Atualizado 03 Agosto 2017 | 11h05

WASHINGTON - O presidente americano, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira, 3, que as relações entre Washington e Moscou estão em um nível baixo e perigoso em razão da lei de sanções aprovada pelo Congresso americano.

"Nossa relação com a Rússia está em um nível histórico baixo muito perigoso", tuitou o presidente. "Podemos agradecer ao Congresso, as mesmas pessoas que sequer são capazes de nos dar Saúde!", acrescentou, em referência à recente derrota no Senado de seus planos de reforma do sistema de saúde Obamacare.

A declaração de Trump acontece um dia depois que ele promulgou, a contragosto, uma lei adotada pelo Congresso que impõe novas sanções à Rússia, além de comentar que algumas das medidas eram inconstitucionais.

A nova lei - que também inclui medidas contra a Coreia do Norte e o Irã - se centra no setor energético da Rússia e concede a Washington a possibilidade de sancionar  empresas envolvidas no desenvolvimento de oleodutos nesse país.

Também nesta quinta, o primeiro-ministro russo, Dmitri Medvedev, denunciou uma "guerra econômica" iniciada por Washington. "(As sanções) são uma declaração de guerra econômica total contra a Rússia e marcam o fim das esperanças russas para uma melhora nas relações com a nova administração americana", escreveu Medvedev no Facebook. 

"A administração Trump mostrou sua total fragilidade ao ceder o Poder Executivo ao Congresso da forma mais humilhante". 

O jornal popular Komsomolskaia Pravda fez a mesma interpretação de Medvedev: "Não se trata mais de sanções, e sim de saber quem é o verdadeiro dono da casa em Washington". "A melhora nas relações com a Rússia se torna agora uma questão de vida ou morte para o 45º presidente americano. Se não conseguir dizer 'não' à oposição, o próximo projeto de lei poderia ser uma moção de censura contra ele", completa o jornal russo.

As sanções

Os congressistas americanos aprovaram as sanções por ampla maioria na semana passada e Trump decidiu acatar a decisão, já que o Congresso poderia derrubar seu veto com facilidade ao reunir dois terços do voto a favor da lei na Câmara de Representantes e no Senado. 

"Ao limitar a margem de manobra do Executivo, esta lei impõe obstáculos à capacidade dos Estados Unidos de fechar bons acordos para o povo americano e vai aproximar a China, Rússia e Coreia do Norte", declarou Trump. 

As novas sanções, que afetam sobretudo o setor de energia da Rússia, punem Moscou pelas suspeitas de interferência russa nas eleições americanas de 2016, assim como pela anexação da Crimeia e suas ações no leste da Ucrânia, onde, segundo vários países ocidentais, ajuda os separatistas que enfrentam o governo de Kiev. 

Sobre as medidas, o Irã afirmou que o acordo sobre seu programa nuclear, assinado com as grandes potências, foi "violado" e afirmou que "reagirá de maneira apropriada" à votação no Congresso americano. / AFP e EFE

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