Russian Direct Investment Fund (RDIF)/Handout via REUTERS
Russian Direct Investment Fund (RDIF)/Handout via REUTERS

É preciso abstinência de álcool para vacina russa ter efeito, diz agência

Chefe de órgão regulador afirma que paciente fique 56 dias sem beber; desenvolvedor do produto fala em 6 dias

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de dezembro de 2020 | 10h49
Atualizado 09 de dezembro de 2020 | 19h58

O alerta de uma autoridade de saúde de que pessoas que forem vacinadas contra covid-19 com a vacina russa Sputnik V deve parar de beber álcool por quase dois meses deixou alguns russos receosos. 

Anna Popova, chefe da agência de saúde do consumidor, disse à rádio Komsomolskaya Pravda, na terça-feira, que as pessoas devem parar de beber álcool pelo menos duas semanas antes de tomar a primeira das duas injeções, e se abster por mais 42 dias. “É uma pressão para o corpo. Se quiser ser saudáveis e ter uma forte resposta imunológica, não beba álcool”, disse Popova.

Nesta quarta-feira, Alexander Gintsburg, desenvolvedor da vacina, disse que não é preciso ser tão radical. A conta da Sputnik V no Twitter publicou uma recomendação dele com uma imagem do ator de Hollywood Leonardo DiCaprio erguendo uma taça de champanhe. “Uma taça de champanhe não fará mal a ninguém, nem mesmo ao seu sistema imunológico”, disse Gintsburg.

No entanto, segundo ele, é crucial evitar o álcool três dias antes e depois das duas injeções necessárias. "Esta é apenas uma limitação razoável de consumo até que o corpo tenha formado sua própria resposta imunológica à infecção por coronavírus”, disse o cientista. “E isso é verdade não apenas para o Sputnik V, mas para qualquer outra vacina". 

Gintsburg também desaconselha o uso de medicamentos que suprimem o sistema imunológico. 

A declaração de Popova teve grande repercussão num país em que o consumo por álcool é elevado. Segundo relatório de 2010 do Ministério de Saúde da Rússia, quase 40% dos russos consomem álcool em excesso

Os russos estão entre os que mais bebem no mundo, embora o consumo tenha caído 43% desde 2003, conforme a relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) – cada um consome em média o equivalente a 11,7 litros de álcool puro por ano, o que coloca o país em 14.º em ranking da OMS. A Moldova lidera essa lista. 

A Sputnik V, licenciada sob um processo acelerado antes do final dos testes clínicos, foi dada a médicos, soldados, professores e assistentes sociais na primeira etapa, e uma vacinação em grande escala nacional deve começar nesta semana. As duas injeções são administradas em um intervalo de 21 dias.

O Kremlin oferece vacina grátis a uma população ainda cética sobre a eficácia. Um levantamento em outubro feito pelo Levada Center, instituto de pesquisas independente,  mostrou que mais da metade dos entrevistados, 59%, não receberiam a imunização contra o coronavírus; apenas 27% confiam nos dados oficiais sobre a covid-19 no país.

A Rússia informou na quarta-feira 26.190 novos casos de coronavírus nas últimas 24 horas, incluindo 5.145 em Moscou, elevando o total nacional para 2.541.199 desde que a pandemia começou.

Autoridades disseram que 559 morreram nas últimas 24 horas, empurrando o número oficial de mortos para 44.718. /COM REUTERS

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