Rússia desqualifica Otan e diz que deve concluir retirada na 6.ª

Embaixador russo afirma que ameças contra Moscou são 'palavras ao vento'; aliança condena invasão da Geórgia

Agência Estado e Reuters,

19 de agosto de 2008 | 13h13

O embaixador russo na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Dmitry Rogozin, desqualificou nesta terça-feira, 19, a resposta da aliança ao conflito na Geórgia dizendo que as ameaças feitas contra a Rússia são "palavras ao vento", informou a agência de notícias Interfax. Em encontro nesta terça-feira, em Bruxelas, os chanceleres dos 26 países que integram a Otan manifestaram em documento que não é possível manter relações normais com Moscou enquanto ainda houver forças russas na Geórgia.   Veja também: Geórgia e Rússia fazem 1ª troca de prisioneiros Tropas russas mantêm ataque em território georgiano Rice eleva o tom e adverte Rússia por 'jogo perigoso' com EUA 'Um miliciano mirou o fuzil no meu peito e pulei na estrada', diz correspondente do Estado  Ouça o relato de Lourival Sant'Anna  Imagens feitas direto de Gori, na Geórgia  Godoy e Cristiano Dias comentam conflito  Entenda o conflito separatista na Geórgia "O documento em si é contido", observou Rogozin em entrevista a uma emissora russa de televisão. "No fundo, todas essas ameaças que têm sido feitas contra a Rússia têm-se mostrado palavras ao vento", declarou ele. O diplomata recorreu a uma expressão idiomática russa para comparar a reunião da Otan a "uma montanha que pariu um rato."Por sua vez, o ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, declarou que o encorajamento da Otan ao desejo do atual governo da Geórgia de ingressar na aliança atlântica é "anti-Rússia" em sua essência. "A política de atrair a Geórgia para a Otan não tem a ver com a Geórgia atender aos padrões da Otan, mas é, na verdade, ditada exclusivamente por objetivos que não vão além de ser anti-Rússia", declarou o chanceler russo.Ele advertiu ainda que a Otan está tentando salvar o "regime criminoso" do presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili. "Parece-me que a Otan tenta mostrar o agressor como vítima, para acobertar um regime criminoso e resgatar um governo fracassado na Geórgia", disse Lavrov em entrevista coletiva concedida em Moscou.   Retirada   Ainda nesta terça-feira, o presidente Dmitri Medvedev anunciou que a Rússia deve concluir a retirada das tropas da Geórgia na sexta, 22. Em conversa por telefone com o líder francês, Nicolas Sarkozy, ele disse que "parte das forças de paz serão trazidas de volta à zona de segurança temporária". "O contingente remanescente será levado para a Ossétia do Sul e Rússia", informou um comunicado do Kremlin.   Denúncia   Alan Middleton, da Companhia do Porto de Poti, disse que soldados russos entraram no porto entre a noite de segunda-feira e a manhã desta terça, provavelmente procurando por equipamentos militares, informou o jornal Financial Times. Eles levaram e destruíram embarcações georgianas, além de prisioneiros, que foram libertados quando os russos saíram do porto às 13 horas desta terça-feira, no horário local, segundo o jornal.   As forças de Moscou levaram veículos de transporte de tropas pertencentes ao Exército americano. De acordo com o Financial Times, o equipamento seria enviado de volta aos Estados Unidos após ser usado em exercícios militares no começo do ano. "Foram cinco veículos Humvee", explicou Middleton ao diário britânico. "Eles os inspecionaram e levaram", continuou.   O chefe da equipe de Moscou ofereceu uma explicação diferente. Segundo o Financial Times, ele disse que os soldados que haviam sido presos viajavam em cinco veículos Humvee.  

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