Rússia detém jornalistas que cobriam tragédia de Beslan

A detenção de diversos jornalistas que viajaram para cobrir a crise e reféns na cidade de Beslan, no sul da Rússia, levanta novas preocupações quanto à liberdade de imprensa num país onde o governo já controlou toda a mídia, alertam grupos de observação da imprensa. Há até mesmo a suspeita de que uma repórter tenha sido envenenada quando se dirigia à cena da tragédia onde mais de 340 pessoas, na maioria crianças, foram mortas.Anna Politkovskaya, uma importante jornalista que cobre a guerra na Chechênia para o jornal Novaya Gazeta, adoeceu a caminho de Beslan. Sergei Sokolov, um dos editores do jornal, diz que ela só tomou chá no avião em que viajava. Politkovskaya é conhecida por sua postura crítica do comportamento brutal das tropas russas na Chechênia. O Comitê para Proteção de Jornalistas, grupo baseado em Nova York, se disse alarmado pelos informes de que ela teria sido envenenada.O correspondente Andrei Babitsky, da americana Rádio Liberdade, foi detido no aeroporto de Moscou e impedido de viajar para o sul da Rússia, acusado de transportar explosivos. Nenhuma bomba foi encontrada mas, segundo o editor Vladimir Baburin, dois homens envolveram Babitsky numa briga, fazendo com que ele fosse preso. De acordo com o editor, os homens eram seguranças do aeroporto, com ordens de criar problema e impedir o jornalista de viajar.A organização Repórteres Sem Fronteiras informa que dois repórteres de TV da Geórgia estão detidos pela polícia em Beslan desde sábado, e foram impedidos de cobrir o desfecho da tragédia na cidade. Ontem, autoridades russas prenderam o chefe da sucursal de Moscou da TV Al-Arabiya, que voltava de Beslan.

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