Rússia deve propor na ONU resolução que 'desaconselha' sanções unilaterais, diz Amorim

Em Nova York, chanceler diz que proposta russa foi apresentada em reunião dos Bric.

Alessandra Corrêa, BBC

22 de setembro de 2010 | 18h54

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse nesta quarta-feira que a Rússia está estudando apresentar à ONU uma proposta de resolução "desaconselhando" sanções unilaterais contra países.

Segundo Amorim, a proposta foi discutida em uma reunião do Bric (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia e China) na terça-feira, em Nova York.

"Creio que é intenção da Rússia apresentar (a resolução)", disse o ministro, que está na cidade para representar o Brasil na Assembleia Geral da ONU.

Amorim disse ainda que a proposta não é de proibir as sanções, e sim "desaconselhar".

"(Desaconselhar) é um termo provavelmente muito mais fraco do que proibir, porque não há possibilidade legal de proibir", afirmou.

"Mas (a Rússia deve apresentar a proposta) comentando que não é conveniente, sobretudo um assunto que esteja sendo objeto de análise do Conselho (de Segurança), ser objeto de sanções unilaterais", disse.

"Senão, para que serve o Conselho de Segurança, se tudo pode ser resolvido unilateralmente?"

Irã

O chanceler, no entanto, afirmou que o Brasil ainda precisa analisar a redação da proposta.

"Não é uma iniciativa brasileira. Em princípio, nós não temos dificuldade com isso, mas é preciso ver a redação (da proposta russa)", disse.

No fim da tarde, o ministro se reúne com o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad.

O Irã é alvo de sanções unilaterais por parte dos Estados Unidos e da União Europeia, por conta de seu programa nuclear.

Essas medidas unilaterais foram anunciadas depois de o Conselho de Segurança da ONU ter aprovado, em junho, uma quarta rodada de sanções contra o Irã.

O Brasil votou contra as sanções da ONU. Pouco antes, o país havia obtido, ao lado da Turquia, um acordo com o Irã, na tentativa de resolver a questão nuclear sem a necessidade de sanções.

O acordo, no entanto, foi visto com desconfiança por parte da comunidade internacional.

As sanções buscam forçar o governo iraniano a interromper o processo de enriquecimento de urânio, por temor de que o país esteja secretamente tentando desenvolver armas nucleares.

O Irã nega essas alegações e diz que seu programa nuclear tem fins pacíficos.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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