Rússia devolve territórios para a China após décadas de disputa

Transferência de 300km² acontece quatro anos depois de assinatura do acordo pelos países

Efe e Associated Press,

14 de outubro de 2008 | 06h29

A Rússia irá ceder 174 quilômetros quadrados de território para a China, resolvendo uma longa disputa territorial em relação à fronteira leste dos dois países, anunciaram nesta terça-feira, 14, os ministérios das Relações Exteriores dos dois países. Os dois rivais da Guerra Fria disputaram partes da fronteira nas décadas de 1960 e 1970, mas chegaram agora a um acordo.   "O acordo é resultado de anos de negociações e mostra nossa parceria estratégica", afirmou nesta terça-feira o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Qin Gang. "O acordo é um passo concreto para os dois países implementarem um tratado de boa vizinhança e uma cooperação amigável."   O acordo determina que a Rússia entregue à China toda a ilha de Yinlong, conhecida na Rússia como Ilha Tarabarova, e metade da Ilha de Heixiazi, ou Bolshoi Ussuriysky, que não é habitada. As ilhas ficam na confluência dos rios Amur e Ussuri na Mandchúria, a cerca de 1.600 quilômetros ao nordeste de Pequim. A disputa pela parte leste da fronteira de 4.300 quilômetros entre os dois países data de séculos atrás, quando a China imperial e a Rússia czarista se expandiram uma em direção à outra.   Anteriormente, a China exigia que as duas ilhas (Yinlong e Heixiazi) lhe fossem entregues em sua totalidade, afirmando que elas foram anexadas ilegalmente pela então União Soviética, em 1929. No entanto, desde a queda da União Soviética, os dois países vinham tentando encerrar a disputa territorial, encontrando uma causa em comum em oposição ao domínio ocidental e firmando relações militares e econômicas mais próximas.   Nesta terça-feira, foi realizada uma cerimônia em Heixiazi com diplomatas, militares, policiais e autoridades locais para comemorar o acordo.  A fronteira entre os dois países foi motivo de guerras no tempo dos czares russos e dos imperadores chineses, e alcançou seu momento de maior tensão no final da década de 1960, em plena Guerra Fria, quando o Exército soviético atacou o Exército Popular de Libertação chinês.   Matéria atualizada às 12h10.

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