Rússia diz que ação do CS da ONU levará Síria à guerra civil

Ofensiva do regime para recuperar subúrbios de Damasco deixou mais de cem mortos desde sexta-feira

GUSTAVO CHACRA, CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

01 de fevereiro de 2012 | 03h02

Diante de mais de cem mortes decorrentes do ataque do governo sírio para retomar o controle de subúrbios de Damasco, a Rússia insistia ontem que uma resolução defendida pelo Ocidente e pela Liga Árabe contra o regime de Bashar Assad no Conselho de Segurança da ONU pode provocar uma guerra civil na Síria.

O esboço do texto apresentado pelo Marrocos, em negociação no CS em Nova York, tem como base o plano de paz da Liga Árabe e pede que Assad transfira seus poderes para o vice, que daria início a uma transição com a participação da oposição. Não há menção ao uso da força para remover o regime.

A reunião de ontem no Conselho de Segurança serviria para Nabil Elaraby, secretário-geral da Liga Árabe, tentar mostrar à comunidade internacional que há necessidade de uma resolução para interromper a violência no país onde, segundo a ONU, ao menos 5.400 pessoas morreram. A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, e chanceleres de outros países também estiveram presentes para defender a saída de Assad. Hillary pediu uma ação da ONU para conter a violência na Síria e declarou que "o reino do terror" de Assad terminará e a principal dúvida é quantas pessoas terão de morrer antes.

Até agora, 10 dos 15 integrantes do conselho estão a favor da resolução, que esbarra na oposição da Rússia e da China. Os dois países têm poder de veto no órgão decisório máximo da ONU. Índia e África do Sul também mantêm reservas sobre o texto.

"O esboço da resolução sobre a Síria no Conselho de Segurança não levará a um compromisso. Na verdade, colocará a Síria na direção de uma guerra civil", disse o vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Gennadi Gatilov, segundo a agência de notícias russa Interfax.

A Rússia é o maior fornecedor de armas para o regime de Assad e mantém uma base militar na costa síria. Segundo diplomatas ocidentais disseram ao Estado, ainda há a expectativa de que a Rússia e a China, mesmo não apoiando a resolução, optem por se abster em vez de usar o veto.

As forças do regime, desde o início da semana, têm realizado ampla operação militar em alguns subúrbios da capital onde vinham ocorrendo protestos contra Assad. Mais de cem pessoas foram mortas. Dezenas de tanques entraram nas ruas dessas áreas, disparando até contra civis desarmados, segundo ativistas.

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