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REUTERS/Alexei Druzhinin/RIA Novosti/Kremlin
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Rússia diz que adotará sanções econômicas contra a Turquia

Moscou descartou a possibilidade de uma ação militar em resposta à derrubada de seu jato por um F-16 turco; no entanto, pretende rever acordos comerciais

O Estado de S. Paulo

26 de novembro de 2015 | 16h11

MOSCOU - Dois dias depois que um caça-bombardeiro russo foi abatido pela aviação turca na fronteira síria, a Rússia anunciou nesta quinta-feira, 26, que prepara medidas de represália econômica contra Ancara. Desde o incidente, o mais grave para Moscou após o início da sua intervenção militar na Síria, no dia 30 de setembro, os líderes dos dois países prometeram evitar uma escalada militar na região. 

No entanto, as autoridades russas pretendem aplicar sanções econômicas em resposta à morte de dois militares russos - um dos dois pilotos do caça abatido e um soldado das tropas de elite que participava da operação de resgate do segundo piloto. O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, argumentou que a nacionalidade do avião era desconhecida e se soubesse de que se tratava de um caça russo, poderia ter evitado que ele fosse derrubado. 

A tensão entre a Rússia e a Turquia ocorre no momento em que o presidente francês, François Hollande, tenta estabelecer uma coalizão antijihadista após os ataques de Paris, que deixaram 130 mortos no dia 13.

Antes de receber nesta quinta-feira no Kremlin o presidente francês, Vladimir Putin atacou Ancara que, segundo ele, "não apresentou qualquer pedido de desculpas, nem uma proposta para compensar o mal e os estragos causados, nem promessas de punir os responsáveis". "Temos a impressão de que os líderes turcos conduzem conscientemente as relações russo-turcas a um impasse", acrescentou o presidente russo.

O presidente turco, por sua vez, disse que tentou falar com Putin por telefone e fez várias chamadas para Moscou, mas o líder russo não o atendeu. O ministro das Relações Exteriores turco, Mevlut Cavusoglu, respondeu com firmeza ao excluir qualquer pedido de desculpas à Rússia. 

Seguindo as ordens de Putin, o primeiro-ministro Dimitry Medvedev reuniu seu governo, a fim de preparar dentro de dois dias uma série de medidas de retaliação após o "ato de agressão" da Turquia.

Sem entrar em detalhes, ele sugeriu que projetos conjuntos podem ser suspensos, leis aduaneiras endurecidas e ligações aéreas sujeitas a restrições. O uso da mão de obra turca na Rússia também poderia ser afetada.

Essas medidas poderiam pôr em perigo a construção em curso da primeira usina nuclear turca em Akkuyu (sul) e enterrar o projeto de gasoduto TurkStream, que Moscou queria fazer de porta de entrada para o gás russo no sul da Europa.

Bilhões em jogo. O ministro russo da Agricultura, Alexander Tkachev, anunciou por sua vez um reforço dos controles sobre os produtos agrícolas e gêneros alimentícios importados da Turquia.

Num comunicado, Tkatshev denuncia "as repetidas violações das normas russas por parte dos produtores turcos", que poderiam afetar 15% dos produtos agrícolas importados de Turquia. Tkatshev citou a presença de "substâncias proibidas e prejudiciais", assim como doses excessivas de pesticidas ou nitratos.

Mas há vários anos, a Rússia é acusada de tomar decisões de ordem sanitária com base em suas posições geopolíticas. Desde o ano passado, Moscou impõe um embargo sobre a maior parte dos produtos alimentares dos países ocidentais que adotaram sanções contra o país em função do conflito na Ucrânia. As importações turcas para a Rússia ultrapassaram US$ 3 bilhões nos três primeiros trimestres deste ano. 

De acordo com a imprensa russa, as alfândegas russas já inspecionam escrupulosamente todas as mercadorias que chegam da Turquia, causando atrasos e bloqueios. A máquina foi colocada em movimento poucas horas depois do caça ser abatido, quando Moscou recomendou aos russos que não viajem à Turquia, potencialmente privando o país de mais de 3 milhões de turistas por ano.

As manifestações de descontentamento também se multiplicaram na Rússia: pedras foram lançadas contra a embaixada da Turquia em Moscou, enquanto um projeto de lei para penalizar a negação do genocídio armênio ganha força.

Luta incontestável. Furiosa após a perda de seu avião, a Rússia chegou a acusar a Turquia de manter laços com o EI, com Putin denunciando aqueles que "acobertam o tráfico de petróleo, seres humanos, drogas, obras de arte e armas".

Erdogan respondeu às acusações de complacência com os jihadistas lançadas por Putin, dizendo que o compromisso de seu país com a luta contra o grupo Estado Islâmico é "incontestável". "A posição de nosso país contra o Daesh (acrônimo em árabe do Estado Islâmico) tem sido clara desde o início", afirmou Erdogan em Ancara.

Erdogan também desafiou a Rússia a provar que a Turquia compra petróleo do EI. "Aqueles que nos acusam de comprar petróleo do Daesh são obrigados a provar as suas acusações".

Sobre as circunstâncias na qual caças F-16 turcos abateram o Su-24 russo, Moscou e Ancara defendem suas versões opostas. Ancara afirma que a aeronave voava em seu espaço aéreo e a advertiu "dez vezes em cinco minutos".

O presidente turco argumentou hoje que a nacionalidade do avião era desconhecida. "Se soubéssemos que era um avião russo, poderíamos ter impedido essa violação de nosso espaço aéreo de outra forma", declarou Erdogan. Moscou assegura que o caça sobrevoava a Síria e não foi alertado antes de ser atingido. 

Um dos dois pilotos foi morto a tiros quando descia de paraquedas, segundo Moscou. O segundo foi resgatado após duas operações de resgate que custaram a vida de um soldado russo. / AFP  

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