Russian Defence Ministry/Handout via REUTERS TV
Russian Defence Ministry/Handout via REUTERS TV

Rússia diz que desenvolverá novo míssil de médio alcance até 2021

Ministro da Defesa explica que país espera produzir nos próximos dois anos uma versão terrestre do sistema Kalibr - usados na Síria a partir de navios de cruzeiro - depois da suspensão de tratado com os EUA sobre armas

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de fevereiro de 2019 | 11h15

MOSCOU - A Rússia planeja desenvolver até 2021 uma versão terrestre dos mísseis usados até agora pela Marinha russa, após Washington e Moscou suspenderem sua participação no tratado de armas nucleares de alcance intermediário, anunciou o ministro da Defesa, Serguei Shoigu, nesta terça-feira, 5.

"Durante os anos de 2019-2020, será necessário desenvolver uma versão terrestre do sistema Kalibr usado na Síria", declarou Shoigu em comunicado das Forças Armadas russas. "Durante o mesmo período, teremos que criar um sistema de mísseis terrestres de longo alcance", diz ainda o comunicado.

Shoigu explicou essa decisão devido à suspensão dos Estados Unidos, no último dia 2, de sua participação no Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF, na singla em inglês), em vigor desde 1987 e que proibia mísseis terrestres estratégicos com alcance entre 500 e 5.500 km. 

A Rússia usou mísseis Kalibr pela primeira vez em 2015, em operações contra rebeldes sírios. No total, 26 mísseis foram lançados de um navio de cruzeiro localizado no Mar Cáspio, a 1.500 km da zona de impacto. Sua potência corresponde ao tipo de armas proibidas pelo tratado INF - que só se aplica a mísseis terrestres. 

Segundo Shoigu, os Estados Unidos "trabalham ativamente no desenvolvimento de um míssil terrestre com um alcance de mais de 500 km", razão pela qual "o presidente da Rússia deu a ordem ao Ministério da Defesa para tomar medidas recíprocas". 

Os Estados Unidos e a Rússia acusam um ao outro de violar o tratado INF

Na sexta-feira, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, anunciou que os Estados Unidos estavam suspendendo "suas obrigações sob o tratado INF".

O presidente russo, Vladimir Putin, reagiu um dia depois ao anunciar que Moscou também suspendia sua participação no acordo e que não promoveria novas negociações de desarmamento com os Estados Unidos "até que tenham amadurecido". / AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.