Rússia diz que falta cooperação do Irã, mas mantém negociações

O ministro do exterior da Rússia, Sergey Lavrov, acusou o Irã de não adotar uma atitude de cooperação durante as conversas sobre o programa nuclear de Teerã, mas disse que Moscou concordou com o pedido iraniano de novas negociações, que acontecerão em um futuro próximo. As negociações recentes sobre a oferta russa de abrigar o programa de enriquecimento de urânio iraniano não tiveram resultados, depois que Teerã rejeitou as exigência de Moscou para que encerrasse o enriquecimento em seu território. "Estamos muito desapontados com a maneira com a qual o Irã tem se conduzido nessas negociações, não ajudando em absoluto aqueles que querem encontrar uma maneira pacífica para resolver a situação envolvendo seu programa nuclear", disse Lavrov. A agência de notícias Interfax citou um oficial russo que afirmou que as conversas já estão em andamento em Moscou. A mesma agência cita uma fonte russa na embaixada de Teerã que afirma que os encontros ocorrerão na quarta-feira e na quinta. O porta-voz do Ministério do Exterior do Irã, Hamid Reza, afirmou no domingo que Teerã não consideraria mais a oferta russa. Em entrevista publicada nesta segunda-feira, Lavrov negou que a Rússia trocaria uma posição mais dura em relação ao Irã pelo apoio de Washington à sua admissão na Organização Mundial do Comércio. O ministro russo também criticou a posição americana em relação à questão nuclear, acusando os Estados Unidos de usarem a crise para resolver questões políticas com o atual regime iraniano. Contudo, a administração americana disse nesta segunda-feira que "seria maravilhoso" se o Irã negociasse com a Rússia e aceitasse as condições para o enriquecimento de urânio. A disputa já foi enviada ao Conselho de Segurança da ONU. Segundo o porta-voz do Departamento de Estado, Tom Casey, a primeira atitude dos Estados Unidos para resolver o imbróglio será a preparação um comunicado que pede que o Irã cumpra suas obrigações internacionais. "Se o Irã fizer um giro de 180º e disser que concorda com todas as exigências internacionais e realmente fizer um trato real com os russos, ao invés de suas táticas para atrasar o processo, seria maravilhoso", disse Casey.

Agencia Estado,

13 Março 2006 | 18h41

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