John Minchillo/AP
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Rússia diz que investigação da ONU sobre armas químicas na Síria é 'pouco convincente'

Vitali Churkin, embaixador do país no organismo internacional, afirmou que investigação 'está cheia de contradições' e não pode servir como base para decisões jurídicas; porta-voz da chancelaria russa negou também que Moscou tenha bombardeado escolas em Idlib

O Estado de S. Paulo

28 de outubro de 2016 | 15h03

NOVA YORK - A Rússia minimizou na quinta-feira, 27, "por serem pouco convincentes" os resultados de uma investigação dirigida pela ONU que indica que forças do governo sírio realizaram três ataques com armas químicas contra os rebeldes.

O embaixador russo no organismo internacional, Vitali Churkin, disse no Conselho de Segurança que as conclusões "não foram confirmadas", segundo um texto de suas declarações em uma reunião a portas fechadas do conselho. Churkin declarou que a investigação sobre o uso de armas químicas pelo regime sírio "está cheia de contradições".

Os embaixadores dos 15 países membros do Conselho de Segurança se reuniram na quinta para analisar o relatório, que acusa Damasco de ter recorrido três vezes a armas químicas contra a população civil em 2014 e 2015.

As conclusões do documento, segundo Churkin, "não tem como base testemunhos suficientes ou provas materiais". O diplomata russo rejeitou a ideia - defendida por França e Reino Unido - de sancionar o regime sírio. "As conclusões não são definitivas, não tem força legal e não podem servir (...) para se tomar decisões jurídicas", afirmou.

A investigação da ONU estabeleceu que o governo do presidente Bashar Assad e o grupo extremista Estado Islâmico (EI) lançaram ataques com armas químicas na Síria. 

O relatório indica que o regime sírio bombardeou com armas químicas dois povoados no noroeste da província de Idlib: Talmenes, em 21 de abril de 2014, e Sarmin, em 16 de março de 2015. Nos dois casos, helicópteros da Força Aérea síria lançaram primeiro "um artefato" e depois uma "substância tóxica", no caso de Sarmin com as "características do cloro".

O grupo Estado Islâmico utilizou gás mostarda em um ataque contra a cidade de Marea, no norte da província de Alepo, em 21 de agosto de 2015. O governo de Assad tem negado reiteradas vezes o uso de armas químicas na Síria, mas o relatório destaca que "há suficiente informação para se chegar às conclusões" sobre os responsáveis pelos ataques nos três casos.

Bombardeio. Também na quinta a Rússia negou ter bombardeado uma escola na Síria em que 22 crianças morreram.A porta-voz do Ministério russo de Relações Exteriores, Maria Zakharova, garantiu que o país não tem "nada a ver" com os bombardeios aéreos contra uma escola da província de Idlib, em poder dos rebeldes.

De acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), 22 crianças e seis professores morreram nessa ofensiva aérea.

Alguns veículos de comunicação árabes e ocidentais "acusaram a Rússia em seguida a essa tragédia. É uma mentira", afirmou Maria em coletiva de imprensa.

A província de Idlib é um bastião de Jaish al-Fatah ("Exército de Conquista"), uma coalizão de rebeldes islamitas e radicais do Fateh al-Sham, ex-Frente Al-Nusra, que cortou os laços com a Al-Qaeda. "É uma tragédia, um escândalo e, se esse ataque foi deliberado, é um crime de guerra", afirmou o diretor-geral do Unicef, Anthony Lake, em um comunicado. / AFP

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