AFP PHOTO / Douma City Coordination Committee / HO
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Rússia diz que não encontrou indício de ataque químico na Síria; Opaq investiga caso

Chanceler de Moscou, Serguei Lavrov, afirma que especialistas do país visitaram a cidade de Duma, no arredores de Damasco, e não encontraram 'nenhum rastro' de substância química; Organização para a Proibição das Armas Químicas também analisa indícios

O Estado de S.Paulo

09 Abril 2018 | 10h23

MOSCOU - Os especialistas russos que compareceram à cidade de Duma, onde o regime sírio foi acusado de executar um ataque químico contra os rebeldes, disseram não ter encontrado "nenhum rastro" de substância química, afirmou o ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, nesta segunda-feira, 9.

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"Nossos especialistas militares já compareceram ao local (...) Não encontraram nenhum rastro de cloro ou de qualquer outra substância química utilizada contra os civis", afirmou Lavrov.

O suposto bombardeio com gás tóxico atribuído ao governo sírio provocou no domingo uma onda de críticas internacionais. O presidente sírio, Bashar Assad, e seu aliado russo negaram um ataque com armas químicas no sábado.

Segundo os Capacetes brancos, um grupo de socorro na zona rebelde, e a ONG médica Syrian American Medical Society (SAMS), o ataque teria deixado 49 mortos, uma informação que ainda não pode ser verificada por fontes independentes.

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Investigação

A Organização para a Proibição das Armas Químicas (Opaq) anunciou nesta segunda que investiga as informações sobre um suposto ataque químico na cidade de Duma, o último reduto rebelde na província síria de Ghuta Oriental.

"A Opaq fez uma análise preliminar das informações sobre a suposta utilização de armas químicas desde sua publicação", afirmou o diretor geral da organização, Ahmet Uzumcu. "Mais elementos serão reunidos para estabelecer se foram utilizadas armas químicas", completou.

Os especialistas examinam os elementos provenientes de todas as fontes disponíveis e apresentarão suas conclusões aos 192 países que assinaram a Convenção sobre Armas Químicas de 1993, disse Uzumcu.

A Síria se uniu a este tratado em 2013, depois de admitir, sob uma forte pressão americana e russa, e sob ameaça de ataques militares ocidentais, manter reservas de armas químicas. A Opaq assegura ter destruído a totalidade das reservas sírias declaradas, mas Uzumcu disse em repetidas ocasiões que houve falhas nas declarações do regime de Damasco.

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As contínuas acusações de uso de armas químicas na Síria levou a Opaq em 2014 a estabelecer sua própria missão de investigação, que estudou mais de 70 supostos casos de uso de gases tóxicos neste país desde esta data. / AFP e REUTERS

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