Rússia diz que não participará de reunião sobre segurança nuclear nos EUA

Decisão de Moscou é mais um sinal da deterioração da relação com Washington, agravada pela crise na Ucrânia

O Estado de S. Paulo

06 Novembro 2014 | 11h23

WASHINGTON - A Rússia anunciou na quarta-feira que não participará da reunião sobre segurança nuclear convocada pelo presidente americano, Barack Obama, marcada para 2016, em mais um sinal de deterioração da relação entre os dois países.

O encontro teria a intenção de consagrar os esforços de Obama nos oito anos como presidente em reduzir o material nuclear pelo mundo. Mas, sem a Rússia - único país com capacidade nuclear compatível com a dos EUA - exite a preocupação de a reunião perder o sentido.

Moscou e Washington cortaram laços em meio à crise na Ucrânia. Intercâmbios militares, conversas sobre acordos e interações entre programas espaciais foram encerrados e os EUA articularam a suspensão da Rússia do grupo G8.

Autoridades americanas e europeias acusam Moscou de não cumprir um acordo feito em Minsk para um cessar-fogo no leste ucraniano, onde separatistas pró-Rússia e forças de Kiev estão em confronto. Autoridades russas acusam os EUA de auxiliarem em um golpe na Ucrânia.

Mesmo antes do conflito ucraniano, Obama havia cancelado uma visita a Moscou em razão da decisão russa de abrigar Edward Snowden, o ex-funcionário da Agência de Segurança Nacional (NSA) dos EUA que revelou detalhes do programa de espionagem americano.

A intenção de acelerar o processo de desarmamento sempre foi manifestada por Obama, mas esbarrou nas ambições de Vladimir Putin, que não aceitou reduzir o número de ogivas e intensificou os testes com mísseis intercontinentais .

Recentemente, aviões militares russos foram interceptados pela Otan e aeronaves europeias, no que autoridades ocidentais classificaram como uma provocação ao estilo da Guerra Fria.

O encontro de 2016 será o quarto com a intenção de impedir o aumento de material nuclear no mundo. Após a terceira reunião, que correu este ano na Holanda, Obama afirmou que 12 países e duas dúzias de instalações nucleares diminuíram a quantidade de urânio enriquecido e plutônio e dezenas de nações reforçaram a segurança nos locais de armazenamento nuclear.

No entanto, autoridades russas afirmaram que o esforço foi dobrado já que existem organizações mundiais como a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que deveria ser reforçada. "Nós não vemos novas medidas surgindo dessas reuniões", disse o embaixador russo da ONU, Sergei I. Kislyak.

O embaixador também criticou a forma das reuniões, afirmando que os EUA sempre querem dominar o processo, mas ressaltou que a Rússia continua dividindo a preocupação com a segurança de materiais nucleares. "Não estamos planejando comparecer à reunião, mas não porque estejamos menos comprometidos com a não proliferação de armas nucleares."

Kislyak acrescentou que Moscou continua trabalhando com Washington para pressionar o Irã a limitar seu programa nuclear. / NYT

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