Denis Sinyakov/Reuters
Denis Sinyakov/Reuters

Rússia diz que países ocidentais fazem 'chantagem' na crise síria

Ministro russo Sergey Lavrov fez comentário pouco antes de reunião com Kofi Annan

AE, Agência Estado

16 de julho de 2012 | 09h59

MOSCOU - A Rússia acusou os países ocidentais de utilizarem chantagem para impor uma resolução no Conselho de Segurança da ONU que autorize o uso de força na Síria. Os comentários do ministro de Relações Exteriores russo, Sergey Lavrov, acontecem pouco antes de uma reunião com Kofi Annan, enviado da Organização das Nações Unidas (ONU) e Liga Árabe para a Síria.

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O Conselho de Segurança debate uma nova resolução sobre a Síria, apressado pelo fim do mandato dos observadores da ONU, que expira em 20 de julho, e o fracasso do plano de paz promovido por Annan.

A Rússia e o Reino Unido emitiram comunicados conflitantes. O Reino Unido, apoiado pelo Ocidente, ameaça o regime do presidente Bashar Assad com sanções não-militares se o governo não retirar tropas e armamentos pesados de áreas povoadas em 10 dias. No entanto, a resolução proposta está sob o Capítulo 7 da ONU, que pode ser reforçado militarmente. Moscou opõem-se a qualquer resolução que possa ser imposta através da força.

"Para nosso grande desgosto, existem elementos de chantagem", afirmou Lavrov em coletiva de imprensa. "Foi dito que se não concordarmos em passar a resolução sob o Capítulo 7, então devemos nos recusar a estender o mandato da missão de observação". "Nós consideramos que é absolutamente improdutivo e perigoso utilizar os observadores como moeda de troca."

Durante os 16 meses de revolta, em que ativistas estimam que 17 mil pessoas foram mortas, a Rússia vêm opondo-se a qualquer intervenção militar internacional, temendo a repetição da ação que ajudou a tirar Muamar Kadafi do poder na Líbia.

Esse posicionamento é intensamente criticado. Moscou diz que a troca de poder na Síria deve ser atingida através de negociação, mas a oposição já deixou claro que nenhuma conversa com Assad é possível antes de ele deixar o cargo.

Lavrov disse que é não é realista tentar persuadir Assad a deixar o poder. "Ele não vai sair, não por que nós estamos defendendo-o, mas por que uma significante parte da população síria o apoia."

Annan fez comentários na semana passada que indicam que ele favorece o rascunho de resolução proposto pelo Reino Unido. Não está claro se ele terá alguma influência durante sua visita a Moscou, que inclui um encontro com o presidente Vladimir Putin na terça-feira.

As informações são da Associated Press.

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