EFE/Gerry Penny
EFE/Gerry Penny

Rússia diz que é inocente no caso de ex-espião envenenado e pede acesso a agente químico

Chanceler Serguei Lavrov afirmou que seu país cooperará com Londres nas investigações se receber amostras do agente neurotóxico utilizado contra Serguei Skripal; para Moscou, recusa do governo britânico é uma violação da Convenção de Armas Químicas

O Estado de S.Paulo

13 Março 2018 | 10h25
Atualizado 13 Março 2018 | 12h22

MOSCOU - O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, disse nesta terça-feira, 13, que a Rússia é inocente e está disposta a cooperar com as autoridades britânicas na investigação sobre o envenenamento do ex-espião russo Serguei Skripal e da filha dele, Yulia, na Grã-Bretanha, se receber amostras do agente neurotóxico que teria sido usado na ação. 

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Lavrov disse, no entanto, que até o momento o governo britânico se recusou a fornecer a Moscou acesso a materiais relacionados ao ataque. A declaração do chanceler foi uma resposta às acusações feitas na véspera pela primeira-ministra britânica, Theresa May, sobre a responsabilidade russa no caso. Skripal, de 66 anos, e sua filha, de 33 anos, estão internados em estado grave, mas estável.

“Exigimos com uma nota oficial acesso a essa substância e (...) a todos os fatos da investigação porque uma das vítimas é a cidadã russa Yulia Skripal”, disse Lavrov em uma entrevista coletiva.

O chanceler afirmou que a recusa de Londres em fornecer as amostras do agente é uma violação da Convenção de Armas Químicas, que proíbe a produção desse tipo de armamento. Ele ainda insistiu que a Rússia não deve ser “culpada” pelo envenenamento.

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Lavrov ressaltou que Moscou quer cooperar, mas sugeriu que seria “melhor” se o governo britânico cumprisse com suas obrigações internacionais “antes de apresentar ultimatos”.

O ministro acrescentou que Londres, assim que soube da suspeita do uso de uma substância proibida, "teria que ter se dirigido imediatamente ao país do qual suspeita que procede" a toxina. Nesse caso, de acordo com o estabelecido pela Convenção, "haveria uma resposta no curso de 10 dias", acrescentou.

Ele também comentou que, "se a resposta não satisfaz ao país que pede a informação, ele - no caso, o Reino Unido - deve se dirigir ao conselho executivo da Organização para a Proibição de Armas Químicas e à Conferência de países-membros".

Diplomacia

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia convocou nesta terça-feira o embaixador do Reino Unido em Moscou, Laurie Bristow, em razão das acusações feitas por Londres. Na véspera, o embaixador russo em Londres, Alexander Yakovenko, foi chamado para consultas à chancelaria britânica.

A primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, afirmou no Parlamento que é "altamente provável" que a Rússia seja responsável pelo envenenamento de Skripal e deu um ultimato até esta terça-feira para que Moscou apresente uma explicação.

Skripal e a sua filha foram encontrados inconscientes no banco de um parque em Salisbury, no sul da Inglaterra, no dia 4 de março. "Está agora claro que o senhor Skripal e sua filha foram envenenados com um agente neurotóxico de natureza militar de um tipo desenvolvido pela Rússia. É parte de um grupo de agentes nervosos conhecidos como 'Novichok'", detalhou May.

Ela ressaltou que só há "duas possibilidades" para explicar o envenenamento: ou é "um ataque direto" da Rússia, ou Moscou "perdeu o controle" da substância e deixou que ela caísse em mãos inadequadas. / REUTERS, AFP e EFE

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