Rússia diz que Síria entregará mais armas e participará de diálogo

Vice-chanceler de Moscou diz estar confiante em destruição de arsenal químico sírio dentro do prazo

O Estado de S. Paulo,

04 de fevereiro de 2014 | 09h37

MOSCOU - A Rússia disse nesta terça-feira, 4, ter garantias de que o governo sírio participará de uma nova rodada de negociações de paz na semana que vem e em breve irá despachar mais agentes químicos para serem destruídos no exterior.

As declarações parecem destinadas a aplacar as preocupações ocidentais acerca do envolvimento do presidente sírio, Bashar Assad, com o processo de paz iniciado neste mês e do seu compromisso com a eliminação das armas químicas de Damasco até meados deste ano, conforme o acordo mediado por Rússia e Estados Unidos.

A Síria planeja retirar do país neste mês uma grande carga de agentes tóxicos, concluindo o processo até 1º de março, disse o vice-chanceler russo, Gennady Gatilov, à agência de notícias RIA. "Ontem os sírios anunciaram que a remoção de um grande carregamento de substâncias químicas está planejada para fevereiro. Eles estão prontos para completarem o processo até 1º de março."

A Rússia, principal apoio diplomático a Assad, está sob pressão para convencer Damasco a acelerar a retirada dos materiais químicos desde que a Reuters revelou, na semana passada, que apenas 5% dessas substâncias haviam sido levadas embora.

A operação está muito atrasada e o prazo para que todos os agentes tóxicos sejam retirados da Síria, que vencerá nesta semana, será descumprido. Autoridades dos EUA acusam Damasco de protelar o processo e o secretário americano de Estado, John Kerry, pediu na sexta-feira passada ao chanceler russo, Sergei Lavrov, para pressionar o governo de Assad a acelerar a operação.

O ministro francês de Relações Exteriores, Laurent Fabius, também se queixou da demora. "O governo de Bashar Assad deve respeitar os compromissos que fez", disse ele a uma rádio nesta terça-feira.

A Rússia diz que as preocupações ocidentais são exageradas e rejeitou as acusações de que a demora é deliberada, citando questões logísticas e de segurança. Na segunda-feira 3, o vice-chanceler russo Sergey Ryabkov disse à Reuters que a Rússia continua confiante de que o prazo final para a destruição do arsenal químico, em 30 de junho, poderá ser cumprido.

Apesar das agudas diferenças a respeito do conflito sírio, a Rússia e os EUA se uniram para lançar uma negociação de paz que começou no mês passado em Genebra e em setembro concordaram em um plano para eliminar o arsenal químico sírio, evitando assim uma reação militar americana a um ataque com gás ocorrido em 21 de agosto nos arredores de Damasco.

Assad aceitou o plano, mas o Ocidente suspeita que ele queira usar o processo para alavancar suas posições na negociação de Genebra, que deve recomeçar na próxima segunda-feira./ REUTERS

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