Rússia e árabes não apóiam novas ações contra Iraque

Em um golpe aos esforços dos Estados Unidos de conseguirem uma ação mais dura da ONU contra o Iraque, a Rússia e duas importantes nações árabes afirmaram que não vêem necessidade de o Conselho de Segurança da organização tomar uma nova resolução sobre o Iraque agora que Bagdá aceitou a volta dos inspetores de armamentos sem impor precondições. Ao ser questionado se acredita que há necessidade de uma nova resolução sobre o Iraque, o enviado da Rússia para a ONU, Sergey Lavrov, descartou a idéia. "Se todos nós queremos que as resoluções sejam cumpridas, como todos estão dizendo, não há nenhum obstáculo em implantá-las agora", disse."Devemos nos concentrar na implementação do que o Iraque concordou e na importância de adotarmos as medidas para executar esse propósito", afirmou o ministro de Relações Exteriores do Egito, Ahmed Maher. O ministro de Relações Exteriores da Jordânia, Marwan Muasher, afirmou que a decisão do Iraque de permitir a entrada dos inspetores foi um passo dado para evitar um confronto no Oriente Médio. "Eu acho que a carta é clara e devemos considerá-la. Devemos trabalhar para levar os inspetores de volta ao Iraque e pelo cumprimento das obrigações da ONU", disse Muasher.Árabes recebem com alívio decisão do IraqueÁrabes que lideraram a campanha para que o Iraque aceitasse a volta dos inspetores de armas disseram que o recuo de Bagdá pode salvar a região de uma confrontação, enquanto o Irã pediu ao Iraque para cumprir sua promessa. Num comunicado divulgado hoje na sede da Liga Árabe, no Cairo, o secretário-geral da organização, Amr Moussa, afirmou que a decisão iraquiana deveria ser "bem recebida pelo mundo, que pediu pelo retorno dos inspetores ao Iraque".O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, elogiou Moussa e membros da Liga Árabe por terem desempenhado um papel-chave no convencimento do Iraque. A Rússia e outros Estados europeus e a China também exortavam o Iraque a aceitar as inspeções, mas a pressão maior veio dos vizinhos do Iraque, que temem que uma guerra EUA-Iraque possa desestabilizar uma região já volátil.Na Síria, a Rádio de Damasco comentou que apesar da decisão iraquiana, "os falcões na administração dos EUA, que estão vinculados a complôs sionistas, ainda estão promovendo uma agressão contra o Iraque." A rádio, que reflete o pensamento governamental, também acusou a comunidade internacional de usar dois pesos e duas medidas por não questionar também Israel por suas armas nucleares e por sua negativa de obedecer resoluções da ONU relativas ao conflito árabe-israelense.O Irã, vizinho do Iraque, que travou uma guerra de 1980 a 1988 com o Iraque, disse que a decisão de Bagdá é "um passo atrás para permitir que se dê vários passos à frente num estágio posterior". A Rádio de Teerã comentou que apesar de o Iraque "ter criado alguma esperança de que a crise será contida, a crise ainda não acabou e é essencial que a comunidade internacional mantenha a pressão simultaneamente sobre os dois protagonistas (EUA e Iraque) para garantir que eles sigam adiante dentro dos parâmetros das resoluções da ONU".O recuo do Iraque em relação à sua antiga posição de que o retorno dos inspetores deveria estar vinculado ao fim das sanções comerciais ocorreu poucos dias depois de a Arábia Saudita ter sugerido que poderia autorizar o uso pelos EUA de bases no reino para atacar o Iraque caso houvesse a aprovação das Nações Unidas.O Egito, um dos mais influentes países árabes, dizia que apoiaria um ataque americano ao Iraque caso fosse feito sob os auspícios da ONU. A Jordânia, firme na oposição a um possível ataque dos EUA e em seu desejo de ver a volta dos inspetores, considerou hoje que o Iraque tomou "uma sábia decisão". Um comunicado do governo jordaniano divulgado pela estatal Agência de Notícias Petra expressou esperança de que a resposta do Iraque irá desmontar "a crise que afeta toda a região".O Omã aplaudiu a decisão iraquiana, afirmando esperar que ela permita superar o impasse com os EUA. "Sempre exortamos o Iraque a permitir a volta dos inspetores a fim de evitar um ataque dos EUA", disse o vice-ministro do Exterior de Omã, Badr bin Hamad al-Bousaeidi.

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