Rússia e China assinam acordo para fornecimento de gás

O presidente russo Vladimir Putin anunciou planos para aumentar o suprimento de energia para a China através de uma nova rede de gasodutos que deverá ser inaugurada daqui a cinco anos. Contudo, não foi selado um acordo definitivo sobre a construção de um oleoduto que distribuirá petróleo da Sibéria para a China. A agência de notícias chinesa Xinhua divulgou parte dos 15 acordos assinados nesta terça-feira entre ambos os presidentes, entre eles três de cooperação em gás natural e petróleo. Os três documentos envolvem as principais empresas do setor nos dois países: a China National Petroleum Corp (CNPC, maior petrolífera chinesa) e a russa Rosneft criarão firmas conjuntas para cooperação no setor. A CNPC e a companhia de gás Gazprom assinaram um memorando para a construção de dois gasodutos "de grande escala" da Sibéria ocidental e do leste russo até a China, cada um com capacidade de transportar até 40 mil metros cúbicos por ano. Além disso, a CNPC e a Transneft, empresa estatal russa que monopoliza os oleodutos, assinaram um protocolo de negociações. Não foi divulgado, no entanto, se o documento envolve a construção do oleoduto transiberiano que transportará petróleo até o Pacífico - e cujo destino final seria a China. O oleoduto motivou uma disputa entre China e Japão, inimigos históricos. A Rússia, sem definir a que país fornecer primeiro, anunciou em dezembro que o oleoduto teria uma ramificação em Daqing, no nordeste chinês. "A China precisa de energia e, para a Rússia, fornecê-la representa receita", declarou o professor de Relações Internacionais da Universidade Popular da China, Shi Yinhong. "A Rússia trata a China e o Japão como dois clientes, apesar da boa relação que mantém com a China", acrescentou. O resto dos acordos assinados implica "numa diversificação estratégica no setor energético", entre eles um estudo de viabilidade para que a Rússia forneça eletricidade à China. Putin chegou nesta terça-feira a Pequim com uma grande comitiva de empresários que esperam que a China deixe de ser um cliente de recursos naturais e armamento e comece a investir na Rússia, e que apóie a entrada de Moscou na Organização Mundial do Comércio (OMC).

Agencia Estado,

21 Março 2006 | 16h47

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