Rússia e China concordam em aprovar moção de censura ao Irã

AIEA deve votar hoje resolução que condena Teerã por enriquecer urânio e defende saída diplomática para crise

VIENA , O Estado de S.Paulo

13 de setembro de 2012 | 03h02

Rússia e China concordaram ontem em apoiar uma moção de censura proposta pelas potências ocidentais para aumentar a pressão diplomática sobre o Irã. O texto deve ser votado hoje pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), em Viena. O respaldo de Pequim e Moscou foi negociado com EUA, Grã-Bretanha, França e Alemanha - todos membros do grupo 5+1- um dia depois de Israel subir o tom de suas ameaças a Teerã.

O grupo concordou em votar a moção de censura na AIEA em razão da expansão do programa iraniano de enriquecimento de urânio, que, teme-se, tenha fins bélicos. O texto também deixará clara a necessidade de buscar uma solução pacífica para a crise.

Países críticos das sanções impostas pelo Ocidente ao petróleo iraniano, China e Rússia relutavam em colocar a moção em votação perante os 35 membros da AIEA. Na semana passada, o vice-chanceler russo, Sergei Ryabkov, disse que não havia indicações de que o Irã tivesse um programa nuclear militar, apesar de os últimos relatórios da agência da ONU terem indicado que essa possibilidade crescera.

O rascunho da moção de censura expressa "grave preocupação" com o desrespeito iraniano com o pedido de suspensão de suas atividades nucleares. O texto faz referência à usina de Fordo, onde técnicos da agência constataram, nos últimos três meses, a duplicação de sua capacidade de enriquecimento de urânio.

Na terça-feira, o primeiro-ministro israelense, Binyamin "Bibi" Netanyahu, voltou a ameaçar atacar o Irã, caso as potências mundiais não ajam para interromper o programa nuclear do país. As declarações provocaram um desconforto com o governo americano. A Casa Branca chegou a rejeitar um encontro de Bibi com o presidente Obama durante a Assembleia-Geral da ONU, no fim do mês, em Nova York.

Horas depois, o staff de Obama voltou atrás e alegou "incompatibilidade de agendas" para não marcar o encontro. Na noite de terça-feira, os dois líderes conversaram por telefone e reafirmaram o seu compromisso em conter o programa nuclear do Irã. / REUTERS

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