Rússia e China pedem que EUA e Coréia do Norte retomem diálogo

Os presidentes de Rússia e China pediram hoje soluções diplomáticas para duas questões que os Estados Unidos consideram estar entre as mais sérias ameaças à segurança global - programas do Iraque e da Coréia do Norte de desenvolvimento de armas de destruição em massa. O presidente russo, Vladimir Putin, e seu colega chinês, Jiang Zemin, fizeram o apelo numa declaração de 13 páginas divulgada no primeiro dia da visita do líder do Kremlin a Pequim. Os dois presidentes também prometaram apoio mútuo à luta de cada um contra separatistas muçulmanos. Tanto a Rússia quanto a China expressaram o desejo de ver a Península Coreana livre de armas nucleares. Na declaração, eles pediram a "normalização de relações" entre Washington e Pyongyang, capital da Coréa do Norte, apesar de o ministro russo de Relações Exteriores, Igor Ivanov, ter dito que isso não significa necessariamente laços diplomáticos formais, que os dois lados nunca tiveram. "Estamos falando sobre um diálogo político no qual qualquer questão seja discutida - inclusive aquelas que levantam preocupação tanto para a América quanto para a Coréia do Norte", explicou Ivanov. Putin e Jiang sublinharam a "extrema importância" de que as relações entre EUA e Coréia do Norte sejam baseadas no acordo de 1994, sob o qual a Coréia do Norte concordou em abrir mão de um programa de armas nuclares em troca de ajuda no abastecimento de petróleo por parte do Ocidente. O pacto está estremecido desde a admissão da Coréia do Norte, em outubro, de que havia dado início a um novo programa de armas nucleares. Pyongyang declarou no mês passado que o pacto de 1994 havia desmoronado depois da decisão dos EUA de suspender a entrega de petróleo para o Norte como punição ao seu novo programa. O comunicado de hoje também pediu uma solução pacífica para o impasse entre o Iraque e os EUA. Laços A visita de dois dias de Putin a Pequim visa reforçar os laços políticos e econômicos com a China. "Estamos absolutamente certos de que a relação especial estratégica entre Rússia e China irá não apenas nos capacitar a resolver problemas que nossos países enfrentam, como também criará a base para a estabilidade mundial", disse Putin na cerimônia de assinatura da declaração conjunta. A visita também permite que Putin conheça os novos líderes escolhidos no mês passado no Congresso do Partido Comunista da China. Putin encontrou-se com o vice-presidente Hu Jintao, que substituiu Jiang como líder do partido e que deve tornar-se presidente chinês em março. Ele também reuniu-se com o primeiro-ministro Zhu Rongji e Li Peng, presidente do legislativo da China. "Estou muito feliz de ter a chance de me encontrar com o presidente logo depois do 16º Congresso do Partido", disse Hu. Na declaração de hoje, os dois países promoteram apoio mútuo na luta da Rússia para esmagar separatistas na Chechênia e no confronto de Pequim com separatistas islâmicos no noroeste do país. O comunicado ecoou a frustração deles com críticas internacionais a suas táticas, reclamando dos "dois pesos e duas medidas" usados na questão dos direitos humanos por outros governos. Eles descartaram "o uso das questões de direitos humanos como alavanca para a pressão em relações internacionais". Vários acordos econômicos também foram assinados. Os negócios entre os dois lados totalizou US$ 10,7 bilhões em 2001 e deve superar os US$ 11 bilhões este ano. Putin deve se encontrar amanhã com universitários e visitar a Grande Muralha nos arredores de Pequim, antes de partir para a Índia.

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