Rússia e China pedem que Irã cumpra resolução da ONU

Os presidentes da Rússia e da China pediram nesta segunda-feira, 26, que o Irã atenda às demandas de uma nova resolução do Conselho de Segurança da ONU contra a insistência da República Islâmica em manter seu polêmico programa de enriquecimento de urânio. O comunicado conjunto vem um dia depois de Teerã anunciar ter suspendido parcialmente sua cooperação com o órgão da ONU que fiscaliza as atividades nucleares ao redor do planeta.No pronunciamento conjunto em Moscou, os líderes russo, Vladimir Putin, e chinês, Hu Jintao, sublinharam a crescente impaciência da comunidade internacional com a posição irredutível de Teerã. A China e a Rússia possuem assentos permanentes e pode de veto no Conselho de Segurança da ONU.Apesar da cobrança, os dois presidentes enfatizaram que a disputa deve ser resolvida "exclusivamente por meios pacíficos", e disseram que seus países tentarão reviver os contatos para que "uma solução abrangente, de longo prazo e aceitável para ambos os lados seja alcançada".Em linguagem dúbia, o comunicado conjunto pede que Teerã atenda as demandas internacionais ao mesmo tempo em que destaca que o Irã tem direito de desenvolver tecnologia nuclear. "A Rússia e a China pedem que o Irã tome um caminho construtivo para as resoluções do Conselho de Segurança e as decisões da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) sejam atendidas. Acreditamos que o Irã tem o direito de reivindicar o uso pacífico da energia nuclear, desde que atenda suas obrigações sob o Tratado de não-proliferação Nuclear."Laços de amizadeA Rússia e a China possuem laços comerciais significativos com o Irã e constantemente usam seu poder de veto no Conselho de Segurança para abrandar as sanções adotadas contra o país aliado. No entanto, ambos uniram-se aos outros membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU no sábado para apoiar uma resolução que amplia as sanções que já haviam sido impostas à Teerã em dezembro. As medidas incluem um boicote às exportações de armamentos iranianos e o congelamento dos ativos de 28 pessoas e organizações envolvidas nos programas nclear e de mísseis do Irã.O Irã, por sua vez, rejeitou as sanções e anunciou uma suspensão parcial na cooperação com a AIEA. AproximaçãoNo mesmo encontro, Hu e Putin se comprometeram em expandir a cooperação econômica entre os dois países. A idéia é acompanhar os vibrantes laços militares e de segurança firmados nos últimos anos entre os antigos rivais. O encontrou rendeu ainda uma pequena crítica à política externa dos Estados Unidos. Depois de várias horas de conversações no Kremlin, Hu disse que os ativos contatos políticos entre os dois membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU ajudaram a "tornar as relações internacionais mais democráticas" e fizeram avançar o conceito de um "mundo multipolar" - um termo usado por Moscou e Pequim para contrapor a percepção de que o domínio global está nas mãos dos EUA.Mas o presidente chinês disse que os dois líderes também concordaram em "aumentar o nível e qualidade das relações bilaterais". O comércio entre os dois países está por volta de US$ 30 bilhões, pouco mais de 2% do volume total de comércio da China, que tem nos EUA seu principal parceiro comercial.EnergiaA China tem demonstrado um grande apetite pelos recursos energéticos da Rússia, mas o progresso na construção de um oleoduto entre a Sibéria e a cidade chinesa de Daqing, no nordeste do país, permanece lento.O chefe da companhia ferroviária estatal da Rússia, Vladimir Yakunin, assinou um contrato com seu colega chinês que aumentará o volume de petróleo transportado por vagões-tanque para a China, de 10 milhões de toneladas no ano passado para 15 milhões este ano.Hu e Putin emitiram um comunicado conjunto prometendo apoiar projetos conjunto nas áreas de petróleo e gás, sem entrar em detalhes.E "a cooperação nos campos militar e técnico-militar vão continuar", adiantou Putin. Moscou tem vendido bilhões de euros anuais em aviões, mísseis, submarinos e destróieres para Pequim, fazendo da China o principal consumidor da indústria bélica da Rússia.

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