Rússia e China podem aderir a sanções contra norte-coreanos

Potências sugerem expansão das restrições à Coreia do Norte em resposta ao teste nuclear de Pyongyang

28 de maio de 2009 | 12h55

Grandes potências propuseram na quarta-feira, 27, um série de sanções expandidas da Organização das Nações Unidas (ONU) contra a Coreia do Norte, em resposta ao recente teste nuclear do país comunista, bem como medidas que deverão intensificar as atuais buscas a navios que têm como destino o país asiático, informou um diplomata da ONU, que falou sob anonimato. Um esboço da resolução não deve estar pronto para circular entre as 15 nações do Conselho até a próxima semana, disseram os diplomatas.

 

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Segundo a fonte, mesmo a China e a Rússia apoiam as sanções expandidas que poderão fazer parte da nova resolução. Os dois países, no entanto, insistem que o Conselho de Segurança precisa dar a Pyongyang a chance de mostrar "boa vontade" antes que as sanções expandidas e as medidas para forçá-las entrem em vigor.

 

A Rússia disse nesta quinta-feira, 28, que não desaprova uma resolução do Conselho de Segurança da ONU sobre o teste nuclear da Coreia do Norte esta semana, mas sente que é muito cedo para falar a respeito de possíveis penalidades, informou um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores. "Nós não temos qualquer base para sermos contra uma nova resolução do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas sobre a Coreia do Norte", disse Andrei Nesterenko a jornalistas. "É prematuro falar em detalhes da decisão do Conselho de Segurança em relação a possíveis sanções contra a Coreia do Norte e sobre seus passos", acrescentou.

 

Entre as sanções, estão a expansão do congelamento de bens e ativos do governo norte-coreano, de empresas e de cidadãos norte-coreanos no resto do mundo e das restrições a operações bancárias e financeiras, disse o diplomata. Os Estados Unidos e o Japão estão compilando as sugestões de sanções, que deverão ser entregues aos governos de sete países. O diplomata disse que as propostas poderão ser apresentadas ainda nestaquinta-feira, quando se reunirem representantes dos EUA, Rússia, China, Reino Unido, França, Japão e Coreia do Sul.

 

Uma das medidas prevê um pedido para que os 192 países que fazem parte da ONU informem em 30 dias o que eles estão fazendo para implementar a resolução e aplicar as sanções contra a Coreia do Norte.

 

Nesterenko alertou contra uma corrida armamentista na Ásia após o teste nuclear da Coreia do Norte. "Nós esperamos que as últimas ações da Coreia do Norte não sejam usadas por outros Estados como uma desculpa para reforçar seus poderios militares e não se torne uma nova... corrida armamentista na região", disse. O porta-voz reconheceu que o teste nuclear subterrâneo realizado na segunda-feira representou "um duro golpe" para o regime de não-proliferação nuclear.

 

A Chancelaria russa convocou na quarta o embaixador norte-coreano em Moscou, Kim Yen-jue, para pedir que Pyongyang retorne à mesa de negociações multilaterais para a desnuclearização da península coreana. O processo de negociação multilateral (as duas Coreias, China, EUA, Rússia e Japão) iniciado em Pequim, em 2003, está paralisado desde dezembro do ano passado, por causa das divergências sobre como verificar o estoque atômico do regime comunista. A Rússia adiou ainda de maneira indefinida a reunião da reunião intergovernamental russo-norte-coreana que devia acontecer esta semana, em Pyongyang.

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