Shannon Stapleton/Reuters
Shannon Stapleton/Reuters

Rússia e China vetam resolução contra a Síria no Conselho de Segurança

Países foram os únicos que votaram contra o texto, que abria porta para sanções; Brasil se absteve

estadão.com.br

04 Outubro 2011 | 19h40

NOVA YORK - A China e a Rússia vetaram nesta terça-feira, 4, uma resolução que circulou no Conselho de Segurança das Nações Unidas condenando a Síria e ameaçando a imposição de sanções caso o governo de Bashar Assad mantenha a repressão contra os protestos pró-democracia. O Brasil se absteve da votação.

 

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A resolução recebeu nove votos a favor e quatro abstenções - África do Sul, Líbano e Índia, além dos brasileiros. Apenas russos e chineses, que têm poder de veto por serem membros permanentes no Conselho, votaram contra. O texto foi redigido pela França, em cooperação com a Alemanha, Portugal e a Grã-Bretanha.

 

Os membros europeus do Conselho reduziram o teor de condenação diversas vezes para evitar o vetos dos parceiros da Síria, mas isso não foi o bastante para fazer com que o texto passasse. 

 

O embaixador da Rússia na ONU, Vitaly Churkin, disse após a votação que seu país não apoia o regime do presidente Assad ou a violência, mas se opôs à resolução porque ela se baseia "na filosofia do confronto", contém um "ultimato para sanções" e se postava contra uma solução pacífica para a crise.

 

Já o embaixador chinês, Li Bandong, disse que seu país está preocupado com a situação na Síria e quer vê reformas, mas votou contra o texto porque "sanções, ou a ameaça delas, não ajudam a conjuntura na Síria, apenas complicam o momento".

 

O representante da França na ONU, Gerard Araud, denunciou o veto, dizendo que "vai contra o senso da história o que está acontecendo na região". "Quero elogiar todos aqueles que lutam contra a sangrenta repressão na Síria", disse.

 

O vice-ministro de Exteriores da Rússia, Gennady Gatilov, disse à agência russa Interfax mais cedo que a resolução era "inaceitável" porque abria portas para sanções e não pedia que o presidente sírio iniciasse negociações com a oposição para encerrar a onda de violência no país.

 

A resolução vetada demandava a paralisação imediata da repressão e ações para assegurar os direitos humanos. O texto também pedia "um processo político inclusivo" no país.

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