Ronald Zak/AP
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Rússia e China vetam ultimato ao Irã em resolução da AIEA

Documento deve ser votado na sexta-feira pelos 35 representantes da agência nuclear da ONU

Agência Estado

17 de novembro de 2011 | 17h46

VIENA - O texto da nova resolução da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) sobre o Irã critica a postura que Teerã mantém sobre seu programa nuclear, mas em uma concessão à Rússia e à China não envia um ultimato para que a República Islâmica permita uma investigação no local sobre seu suposto projeto para construir armas nucleares. O documento, obtido pela Associated Press, deverá ser posto em circulação e possivelmente votado na sexta-feira pela junta de 35 governadores da AIEA.

 

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A resolução da AIEA é esperada como um sinal de como o Irã será tratado por ignorar alertas tanto da entidade quanto da Organização das Nações Unidas (ONU). Ela também pode indicar que as seis potências que tentam engajar o Irã nas negociações sobre seu programa nuclear podem não ter mais a mesma unidade sobre a questão nuclear do Irã.

 

Os Estados Unidos e seus aliados europeus - França, Grã-Bretanha e Alemanha - vieram à reunião da AIEA dizendo que buscam um alerta mais forte para o regime de Teerã, para que o Irã comece a cooperar de verdade ou seja citado ao Conselho de Segurança da ONU. Mas a Rússia e a China se opõe a qualquer crítica mais dura ou a ameaças de punições contra o regime iraniano.

 

O texto ao qual a AP teve acesso reflete um compromisso para ambas as partes. Expressa "séria preocupação de que o Irã continue a desafiar as demandas e obrigações contidas nas resoluções do Conselho de Segurança da ONU e na junta de governadores da AIEA". Mas também fala sobre a "profunda e crescente preocupação sobre as questões envolvidas e relacionadas ao programa nuclear iraniano, incluídas as que precisam ser esclarecidas para excluir a existência de possíveis dimensões militares" do programa nuclear.

 

Um diplomata presente ao encontro falou hoje que o texto poderá ser aprovado amanhã por delegados de quase todos os 35 países da AIEA, com a possível exceção de Cuba, que sempre vota contra quando críticas ao Irã estão envolvidas. Segundo o diplomata, mesmo com o compromisso entre Rússia e Ocidente, o documento enviará um sinal de que o mundo está bastante preocupado com o programa nuclear iraniano.

 

"Séria preocupação" e "profunda e crescente preocupação" são termos fortes na linguagem diplomática. Mas ao mesmo tempo, o texto não faz referência a citar o Irã no Conselho de Segurança da ONU se Teerã permanecer desafiadora, embora diplomatas ocidentais tenham dito em off que isso poderá ocorrer em outra reunião da AIEA em março de 2012.

 

Investigadores

 

Apesar das posições de Rússia e China, o chefe da AIEA, Yukiya Amano, disse ter proposto à agência o envio de uma missão para verificar as instalações nucleares iranianas e checar as conclusões do relatório. Ele manifestou esperanças de que uma data seria agendada em breve para a visita dos investigadores. As informações são da Associated Press.

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