Rússia é contra proposta árabe-europeia de ação na Síria

Uma nova tentativa árabe-europeia de implementar uma ação na Organização das Nações Unidas (ONU) contra a repressão do governo sírio contra a oposição foi alvo, mais uma vez, da oposição da Rússia, embora o número de mortos no país tenha disparado. Ativistas informam que 120 pessoas foram mortas em dois dias.

AE, Agência Estado

28 de janeiro de 2012 | 15h03

Os Estados árabes e a Turquia, que lidera as críticas regionais contra o regime de Damasco, se encontram neste sábado em Istambul para conversações que deverão ser dominadas pela busca de uma solução para a crise no Conselho de Segurança da ONU.

Mas a Rússia, aliada da Síria desde os tempos da Guerra Fria, deixou claro que o rascunho de resolução apresentado pelo Marrocos na noite de sexta-feira cruzou "nossa linha vermelha", aumentando as perspectivas para longas disputas sobre o texto, que os autores esperam que seja votado na próxima semana.

O chefe da missão de monitoramento da Liga Árabe disse que os tumultos aumentaram nesta semana "de forma significativa", especialmente em cidades como Homs e Hama e na região de Idlib, norte do país.

A violência, que na sexta-feira pela primeira vez deixou mortos em Aleppo, a segunda maior cidade síria, "não ajuda...a levar todos os lados para a mesa de negociação", disse o general Mohammed Ahmed Mustafa al-Dabi.

Mas, apesar do crescente número de mortos, que segundo a ONU superou 5.400 no mês passado, o Conselho de Segurança não adotou uma única resolução sequer sobre a crise desde que os protestos tiveram início, em março de 2011.

Um esboço anterior de resolução apresentado por países europeus, que ameaçava o presidente Bashar Assad com "medidas específicas", foi vetado por Pequim e Moscou em outubro.

Partidários da nova resolução esperam que os críticos da medida - que também incluem Índia e África do Sul - sejam influenciados pela nova postura da Liga Árabe, que no final de semana passado exigiu que Assad entregasse seu poder ao vice para abrir caminho para a formação de um governo de unidade nacional antes das eleições. O mesmo modelo tem sido adotado pelo mais pobre dos países árabes, o Iêmen, numa tentativa de conter os levantes.

O novo texto "dá total apoio" ao projeto da Liga Árabe de "encorajar" todos os Estados a seguir as sanções adotadas pelo bloco pan-árabe em novembro, mas não tem ação obrigatória.

O embaixador da Rússia na ONU, Vitaly Churkin, disse que o texto cruzou "nossas linhas vermelhas, onde não podemos ir". Ele disse que Moscou se opõe a qualquer sugestão de sanção, embargo de armas ou "troca de regime" e foi crítico em relação à Liga Árabe, acusando o grupo de tentar "impor" uma solução a Assad.

"A Liga Árabe pode ter suas ideias sobre para onde o diálogo político deve ir. Certamente, eles são livres para expressas suas ideias, mas o Conselho de Segurança não deveria ser uma ferramenta para impor soluções específicas aos países, incluindo o caso particular da Síria", disse ele.

O Observatório Sírios pelos Direitos Humanos, sediado em Londres, disse que as forças de Assad mataram pelo menos 44 civis na sexta-feira e que 12 soldados foram mortos em ataques contra os militares. O banho de sangue ocorreu após o registro de 62 mortes na quinta-feira, informou o grupo ao escritório da agência France Presse em Nicósia, no Chipre.

Um oleoduto pegou fogo em Quriah, na província de Deir Ezzor, na manhã deste sábado, após ser atingido por pesados disparos de metralhadora, informou o Observatório. As informações são da Dow Jones.

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