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Rússia e EUA afastam risco de pacto se romper

Obama e Medvedev confirmam tratado após Washington garantir que não usará sistema antimíssil contra Moscou

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

27 de maio de 2011 | 00h00

Os presidentes dos EUA, Barack Obama, e da Rússia, Dmitri Medvedev, encontraram-se ontem para trocar garantias sobre os projetos de construção de escudos antimísseis no leste da Europa. Com o acerto, o líder russo confirmou que manterá Moscou no Tratado de Limitação de Armas Estratégicas (Start). Na última semana, Moscou tinha ameaçado se retirar da convenção, sugerindo que o escudo poderia abrir espaço para uma nova Guerra Fria.

A nova distensão nas relações entre EUA e Rússia foi selada num encontro paralelo à cúpula do G-8 (grupo dos países mais ricos e a Rússia), aberta ontem, na França. Descontraídos, Obama e Medvedev discutiram também a crise no mundo árabe. Segundo o americano, os dois países trabalharão juntos para manter o equilíbrio estratégico, o que inclui os projetos de defesa para o Leste Europeu.

"Vamos seguir o diálogo sobre o escudo antimísseis e trabalhar juntos para implementar uma configuração do sistema que corresponda aos interesses dos dois países, garanta o equilíbrio estratégico e seja capaz de responder às ameaças pontuais", assegurou Obama, em entrevista coletiva conjunta. Para Medvedev, o impasse que se arrasta desde meados da década não será resolvido nem em curto nem em médio prazos. "A questão será resolvida no futuro, no ano de 2020, por exemplo", estimou o russo, lançando a responsabilidade aos seus sucessores.

O discurso do presidente russo marcou uma mudança de tom em relação às advertências que vinham sendo feitas pelo Kremlin e por oficiais das Forças Armadas nas últimas semanas. Há dez dias, o vice-ministro das Relações Exteriores, Serguei Riabkov, havia afirmado que a persistência do trabalho de construção dos escudos antimísseis na Europa do leste poderia "forçar" o Kremlin a abandonar o Start. "A Rússia terá o direito de sair do Start se o desenvolvimento quantitativo e qualitativo do potencial de defesa antimísseis dos EUA representar uma ameaça para as forças russas de dissuasão nuclear", havia reiterado Riabkov, no Parlamento.

Na França, Medvedev buscava garantias de Washington de que os EUA não têm intenção de desenvolver forças estratégicas para enfraquecer o potencial russo. Em novembro, em reunião de cúpula em Lisboa, a Rússia tinha firmado com os países-membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) um acordo que previa a construção de dois sistemas antimísseis independentes, mas coordenados: o primeiro, russo, e o segundo, sob controle da aliança atlântica.

Ainda ontem, em outro encontro bilateral, Medvedev formalizou com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, a compra de quatro navios de guerra, na primeira transação de material bélico entre os dois países desde o início da Guerra Fria.

PARA LEMBRAR

O presidente Barack Obama desistiu dos planos dos EUA de instalar um sistema de escudo antimísseis na Polônia e na República Checa, planejado pelo governo Bush para conter ataques do Irã. A Rússia, que criticou o projeto, elogiou o "bom senso" americano, mas ainda está preocupada com a possibilidade de que o sistema seja instalado em outros países próximos de seu território, como a Romênia. Moscou chegou a anunciar um projeto de instalação de mísseis no enclave de Kaliningrado, entre Polônia e Lituânia, mas desistiu.

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