Rússia e EUA ampliarão cooperação após ataque

A Rússia e os EUA concordaram neste sábado em aumentar a cooperação entre os dois países no combate ao terrorismo em seguida à notícia de que dois homens de etnia chechena são os suspeitos dos ataques a bomba durante a Maratona de Boston, nos EUA.

DANIELLE CHAVES, Agência Estado

20 de abril de 2013 | 12h45

O Kremlin informou que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, telefonou para o presidente norte-americano, Barack Obama, para mais uma vez expressar condolências e discutir meios de os dois lados trabalharem mais de perto em questões de segurança, especialmente por causa dos Jogos de Inverno que serão realizados em 2014 em Sochi, na Rússia. "Ambos os lados destacaram o interesse em aumentar a cooperação dos serviços especiais russo e norte-americano no combate ao terrorismo internacional", disse o Kremlin em comunicado.

A Casa Branca também emitiu um comunicado e disse que Obama agradeceu Putin pelas condolências "e elogiou a cooperação firme que os EUA vêm recebendo da Rússia no combate ao terrorismo, incluindo em seguida os ataques em Boston". "Os dois líderes concordaram em prosseguir com a cooperação no combate ao terrorismo e em questões de segurança no futuro", afirmou a Casa Branca.

Autoridades dos EUA disseram que os dois homens suspeitos dos ataques, que deixaram três mortos e mais de 180 feridos, são chechenos da região turbulenta do norte do Cáucaso. Tamerlan Tsarnaev, de 26 anos, foi morto pela polícia e seu irmão Dzhokhar Tsarnaev, de 19 anos, foi capturado na noite de sexta-feira e está internado em um hospital de Boston.

A cooperação entre os serviços de inteligência dos EUA e da Rússia é fraca em razão de relações diplomáticas conflituosas e dos receios de Washington de que Putin use o combate ao terror para acabar com adversários políticos. Analistas russos acreditam que essa situação provavelmente vai mudar após os ataques em Boston.

Alexei Pushkov, advogado do Comitê de Relações Internacionais do Parlamento russo, afirmou que os ataques chocantes deverão reduzir as críticas do governo norte-americano às ações que Putin tomou no norte do Cáucaso desde que assumiu o poder, em 1999.

A Rússia realizou duas guerras com a Chechênia após o fim da União Soviética, a segunda iniciada por Putin quando ele era primeiro-ministro, em 1999. A campanha ajudou a levá-lo à presidência em 2000, mas criou tensões nas suas relações com o Ocidente. As informações são da Dow Jones.

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