Rússia e EUA discutem em Genebra acordo para armas químicas da Síria

Em artigo no 'NYT', Putin diz que intervenção ajudaria radicais da Al-Qaeda que combatem Assad

O Estado de S. Paulo,

12 de setembro de 2013 | 08h44

GENEBRA - O secretário de Estado americano, John Kerry, desembarcou nesta quinta-feira,12, em Genebra para escutar os planos da Rússia destinados a destituir a Síria do seu arsenal químico e poupar o país do Oriente Médio de um ataque dos EUA. Kerry deve se reunir ao longo da tarde de hoje com o chanceler russo, Sergei Lavrov. Mais cedo, em artigo no jornal The New York Times, o presidente russo, Vladimir Putin, voltou a se colocar contra uma intervenção americana na Síria e argumentou que o ataque favoreceria terroristas ligados à Al-Qaeda que combatem Assad. Ele também novamente acusou os rebeldes sírios pelo suposto uso de armas químicas contra civis. 

Autoridades dos EUA dizem que Kerry insistirá que o eventual acordo obrigue Damasco a tomar atitudes rápidas para mostrar a seriedade do seu compromisso, a começar pela apresentação de um inventário público e completo do arsenal a ser inspecionado e neutralizado.

Após a proposta russa, o presidente dos EUA, Barack Obama, suspendeu temporariamente seu plano de bombardear a Síria para punir o governo de Bashar Assad pelo massacre de 1,4 mil civis em agosto, que, segundo Washington, foi cometido com armas químicas.

A Síria concordou com a proposta russa de abrir mão das armas químicas. Damasco nunca aderiu aos tratados que proíbem a posse desse arsenal e nunca confirmou se o possuía. A Síria, no entanto, é signatária de uma convenção quase centenária que proíbe o uso de armas químicas.

Falando antes da reunião de Kerry com o chanceler russo, Sergei Lavrov, uma fonte do governo americano disse que o objetivo do chefe da diplomacia americana é "ver se há realidade na proposta". Espera-se que Kerry e Lavrov definam os termos de uma proposta de resolução a ser votada nos próximos dias pelo Conselho de Segurança da ONU.

Críticas. Putin, criticado no ocidente por fornecer armas a Assad e evitar qualquer esforço da ONU para desalojá-lo do poder, publicou um artigo no jornal The New York Times manifestando oposição à intervenção militar.

Ele argumentou à opinião pública americana que um ataque a Assad ajudaria combatentes da Al-Qaeda que lutam ao lado da oposição síria. Segundo Putin, há "poucos paladinos da democracia" na Síria, "mas há mais do que suficientes combatentes da Al-Qaeda e extremistas de todos os tipos enfrentando o governo".

"Existem todos os motivos para acreditar que (as armas químicas) não foram utilizadas pelo Exército sírio, mas sim pelas forças de oposição para provocar uma intervenção de seus poderosos aliados estrangeiros, que se teriam colocado do mesmo lado que os fundamentalistas", argumentou Putin.  "Existem todos os motivos para acreditar que (as armas químicas) não foram utilizadas pelo Exército sírio, mas sim pelas forças de oposição para provocar uma intervenção de seus poderosos aliados estrangeiros, que se teriam colocado do mesmo lado que os fundamentalistas." / REUTERS 

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