Rússia e Georgia alertam para tensão na Ossétia do Sul

A Rússia e a Geórgia alertaram nesta terça-feira que uma séria crise se instalou na região georgiana da Ossétia do Sul, após um combate entre soldados georgianos e russos durante o último final de semana.Uma unidade especial do Ministério do Interior da Georgia entrou em confronto com mantenedores da paz russos no sábado. Os dois lados pegaram em armas antes que as tropas georgianas batessem em retirada.O ministro da Georgia para resolução de Conflitos, Georgy Khaindrava, disse que o incidente ocorreu fora da chamada "zona de conflito" na Ossétia do Sul, onde soldados russos e georgianos ajudam a manter a paz. A região separou-se do governo de Tbilisi em 1990. O governo georgiano anunciou repetidas vezes sua intenção de retomar o controle da área. Khaindrava culpou soldados russos pelo início dos enfrentamentos ao não permitir que uma patrulha da polícia da Georgia entrasse na vila de Kurta.O Ministério do Exterior da Rússia classificou o incidente como uma "provocação para desestabilizar a situação da zona de conflito".A Geórgia acusa os mantenedores da paz de se aliarem aos separatistas na Ossétia do Sul, assim como na região de Abkházia.Moscou possui relações estreitas com a liderança das suas províncias e garantiu cidadania russa a muitos residentes dessas áreas. O Parlamento da Geórgia ordenou no começo deste ano, unilateralmente, a retirada das tropas de paz da Ossétia do Sul e a substituição dos soldados por forças internacionais. Khaindrava advertiu nesta terça-feira que a tensão pode aumentar caso os soldados russos ignorem as instruções e entrem em outras localidades através do túnel Roksky, o que segundo ele seria ilegal. Contudo, um dos chefes das forças de paz, o coronel Rem Akimov, afirmou que cerca de 500 soldados russos entraram na Ossétia do Sul por meio do túnel, sem incidentes. Os laços entre Moscou e Tbilisi se deterioraram desde que o presidente Mikhail Saakashvili assumiu o poder há dois anos durante a Revolução da Rosa. Saakashvili cortejou os Estados Unidos e outras nações do ocidente, na tentativa de tornar-se um membro da União Européia e da OTAN.

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