Rússia e Liga Árabe acusam coalizão de atacar civis na Líbia

China lamenta ataques e Alemanha diz que não está sozinha no ceticismo quanto a ação militar

estadão.com.br,

20 de março de 2011 | 10h57

Atualizada às 11h33

 

O governo da Rússia e a Liga Árabe acusaram a coalizão liderada por Reino Unido, França e EUA de terem matado civis nos bombardeios às forças do ditador líbio, Muamar Kadafi. A intervenção militar, ordenada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, em votação na qual Moscou se obteve, começou no sábado, 19.  De acordo com a chancelaria russa, alvos não-militares foram atingidos e 48 pessoas morreram. O número é igual ao divulgado pela TV estatal líbia, controlada por Kadafi.

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"Acreditamos que a permissão dada pelo Conselho de Segurança - uma medida que já é controversa - não deve ser usada para atingir metas fora da proteção à população civil" , disse o porta-voz do ministério das Relações Exteriores russo, Alexander Lukashevich. Ainda de acordo com ele, pontes, estradas e hospitais foram atacados.  "Por isso pedimos a todos os países envolvidos que interrompam o uso não-seletivo da força".

 

O chefe da Liga Árabe. Amr Moussa afirmou neste domingo que os árabes não queriam que ataques militares por potências ocidentais atingissem civis quando a Liga pediu uma zona de exclusão aérea na Líbia.

 

 

Em nota, Moussa solicitou uma reunião do bloco para discutir a situação no mundo árabe e, particularmente, na Líbia.   "O que está acontecendo na Líbia difere do objetivo de impor uma zona de exclusão aérea, e o que nós queremos é a proteção de civis e que não haja mais bombardeios a eles", disse.

 

Mais cedo, o governo chinês - que também se absteve na votação na ONU ao lado de Rússia, Índia, China, Brasil e Alemanha - lamentou o ataque da coalizão.  "Esperamos que a Líbia possa restaurar a estabilidade tão em breve quanto seja possível e evitar uma escalada do conflito armado que possa derivar em um maior número de vítimas civis", diz o comunicado do ministério das Relações Exteriores.

A Alemanha, por sua vez, alegou não estar sozinha em sua posição sobre a Líbia. De acordo com o ministro das Relações Exteriores do país, Guido Westerwelle, a impressão de que Berlim está isolada é errada. "Muitos outros países não apenas entendem nossa posição mas compartilham dela", afirmou. Perguntado sobre quais países, disse: "A Polônia".

Uma coalizão formada por EUA, França, Reino Unido, Itália e Canadá deu início no sábado, 19, a uma intervenção militar no país, sob mandado da resolução 1973 do Conselho de Segurança das Nações Unidas. A medida prevê a criação de uma zona de exclusão aérea na Líbia e a tomada de 'quaisquer medidas necessárias' para impedir o massacre de civis pelas tropas de Kadafi.

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Com Reuters e AP

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