EFE/EPA/YOUSSEF BADAWI
EFE/EPA/YOUSSEF BADAWI

Rússia e Síria culpam Israel por ataque a base aérea que deixou 14 mortos

Oito mísseis foram lançados contra o local, que abrigava sírios e iranianos; ativistas da oposição culpam forças sírias

O Estado de S.Paulo

09 Abril 2018 | 13h37

BEIRUTE - Uma base aérea na região central da Síria foi atacada por mísseis que deixaram 14 mortos nesta segunda-feira, 9, segundo informaram militares sírios e o governo russo. Ambos culpam Israel pela ação. De acordo com o Ministério da Defesa Sírio, dois aviões israelenses dispararam oito mísseis contra a base T4, na província de Homs, mas os sírios conseguiram derrubar cinco deles. Os outros três atingiram a parte oeste do local. O Observatório Sírio para os Direitos Humanos, que monitora a guerra através de ativistas em solo, afirmou que os alvos do ataque eram uma unidade de defesa aérea e edifícios internos da base, mas os mísseis atingiram também postos fora do local, utilizados por iranianos e combatentes apoiados pelo Irã.

Segundo o Observatório, há iranianos e três funcionários sírios entre os 14 mortos. A agência estatal síria de notícias, Sana, inicialmente noticiou que o ataque na base T4 provavelmente era "agressão americana", mas o porta-voz do Pentágono, Christopher Sherwood, negou que os Estados Unidos estivessem por trás do ataque. Então, a agência desistiu da acusação e passou a culpar Israel. A agência ainda citou um militar anônimo ao noticiar que os disparos vieram de aviões militares israelenses do modelo F-15. Dmitry Peskov, porta-voz do presidente Vladimir Putin, afirmou a repórteres nesta segunda-feira que Israel não havia se comunicado com o presidente antes do ataque aéreo, mesmo diante da possibilidade de que conselheiros militares russos estivessem na base, o que ele descreveu como "um motivo de preocupação".

Ataque químico.

O ataque desta segunda-feira ocorreu horas depois de o presidente Trump advertir que haveria "um grande preço a pagar" depois do suposto ataque químico de sábado, que aconteceu em Douma, última remanescência de rebeldes sírios no subúrbio oriental de Damasco. Ao menos 40 pessoas morreram, incluindo famílias que foram encontradas em suas casas e abrigos, conforme informaram socorristas locais e ativistas da oposição, que culparam forças do governo sírio. O Conselho de Segurança da ONU planejava realizar uma reunião de emergência nesta segunda-feira para discutir o ataque químico. Em resposta aos relatórios, Trump culpou forças do governo sírio no domingo, pelo o que chamou de "ataque químico irracional". Numa série de tweets, o presidente culpou Rússia, Irã e o presidente sírio Bashar al-Assad como os principais responsáveis.

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Histórico.

O ataque de sábado aconteceu exatamente um ano após a ação americana em resposta às mortes de Khan Sheikhoun, quando os Estados Unidos lançaram dezenas de mísseis de cruzeiro Tomahawk na base de Shayrat, em resposta ao ataque químico em Khan Sheikhoun, cidade ao norte do país, que matou dezenas de pessoas. Desde 2012, Israel atingiu áreas sírias mais de 100 vezes, alvejando, em maioria, comboios suspeitos de carregar armas destinadas ao Hezbollah. // AP

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