Rússia envia navios de guerra para a Síria

Manobra, que inclui lanchas de desembarque, indicaria que Moscou quer proteger seus interesses; para Annan, Irã deve participar de pacificação

MOSCOU, O Estado de S.Paulo

11 de julho de 2012 | 03h01

A Rússia - que tem demonstrado a intenção de mediar a crise que a Síria enfrenta há 16 meses - anunciou ontem o envio de uma pequena frota de sua Marinha para o Mar Mediterrâneo, afirmando que alguns dos navios deverão atracar no porto sírio de Tartus. Várias lanchas de desembarque repletas de fuzileiros navais e um destroier estão entre as embarcações.

A manobra parece destinada a demonstrar que os russos protegerão seus interesses no país do Oriente Médio, seu mais importante parceiro na região, mesmo após a Rússia ter restringido o envio de armamento ao regime de Bashar Assad. Novos contratos de fornecimento de armas à Síria foram suspensos pelos russos oficialmente até que a nação em crise se estabilize. Antes da medida, o Kremlin vinha rejeitando sanções contra Damasco.

Hoje, o chanceler russo, Sergei Lavrov, deverá se reunir com o Conselho Nacional Sírio, representante dos rebeldes que tentam derrubar Assad.

Nações Unidas. O enviado da ONU para negociar uma saída pacífica para a crise síria, Kofi Annan, afirmou ontem que o Irã deve se envolver diretamente no processo de paz, apesar da forte rejeição de países do Ocidente à atuação de Teerã nesse diálogo. "Não falo por outros países", afirmou Annan em Teerã, após ter se reunido com o ministro de Relações Exteriores iraniano, Ali Akbar Salehi.

Annan não deu detalhes sobre qual tipo de abordagem discutiu com Assad na segunda-feira para acabar com o impasse, afirmando apenas que o ditador sugeriu um processo de pacificação que começasse pelos distritos mais violentos e se estendesse. De Teerã, Annan seguiu para Bagdá, onde discutiu a crise síria com o premiê iraquiano, Nuri al-Maliki. / NYT, REUTERS e AP

No dia 18, um cargueiro que navegava em águas escocesas levando para a Síria helicópteros de ataque e armamento produzidos na Rússia fez a volta em direção a seu porto de origem após a seguradora suspender sua proteção, alegando justamente que ela transportava armas. Inicialmente, a Rússia negou que o navio carregava equipamento militar.

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