AP Photo/Aleksandr Shulman
AP Photo/Aleksandr Shulman

Rússia envia reforço militar para Crimeia

Nova fase de tensão bélica com Ucrânia pode resultar no rompimento das relações diplomáticas entre os dois países, afirma premiê russo

Andrei Netto, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S. Paulo

12 Agosto 2016 | 20h33

O governo da Rússia anunciou nesta sexta-feira, 12, ter enviado novos sistemas de defesa antiaérea e antimísseis à Crimeia, península anexada há dois anos, aumentando a tensão militar com a Ucrânia. Kiev já havia ordenado na véspera que suas Forças Armadas ficassem em estado de alerta para a ameaça de retomada dos confrontos armados. 

A escalada no leste europeu ocorre porque, segundo o presidente russo, Vladimir Putin, a Ucrânia estaria por trás de atentados terroristas na península.

Os sistemas enviados à linha de demarcação entre a Crimeia e a Ucrânia são do tipo CRI S-400 Triumph, com alcance de 400 km. Eles equiparão um regimento russo estacionado na península, segundo comunicado do Ministério da Defesa, em Moscou. 

Segundo o Kremlin, o objetivo é “proteger a segurança de cidadãos e as infraestruturas vitais da Crimeia”, cuja população é de maioria russa e acolheu com entusiasmo a anexação – não reconhecida pela maior parte da comunidade internacional – em fevereiro de 2014. 

Desde a quinta-feira 11, as tropas ucranianas se posicionaram na região por ordem do presidente ucraniano, Petro Poroshenko, que teme uma nova invasão de seu território – a exemplo do que aconteceu em Donbass, província na fronteira com a Rússia onde separatistas controlam cidades como Donetsk.

Moscou afirma que seu serviço secreto (FSB) prendeu um oficial ucraniano que estaria preparando atentados na Crimeia. Já a Organização para o Tratado do Atlântico Norte (Otan) acusou Moscou de não fornecer nenhuma prova das alegações de terrorismo que lançou contra Kiev.

De acordo com o premiê da Rússia, Dimitri Medvedev, as relações diplomáticas entre os dois países poderiam ser rompidas ainda ontem – o que lançaria ainda mais dúvidas sobre o frágil processo de paz na região. “Não quero que isso termine assim, mas se não houver outra forma de fazer a situação evoluir, o presidente provavelmente tomará essa decisão”, afirmou Medvedev, referindo-se a Putin.

A nova etapa da tensão entre Rússia e Ucrânia causou reações no Ocidente. Nesta sexta, os Estados Unidos pediram aos dois países que evitem uma escalada militar, no momento em que a situação em Donbass também é instável. “Chegou a hora de reduzirmos a tensão e retomarmos as discussões”, afirmou a porta-voz do Departamento de Estado, Elizabeth Trudeau. “Exortamos que se evite todo tipo de ações que provoquem uma escalada na situação.”

De Bruxelas, a chanceler europeia, Federica Mogherini, telefonou ao ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Pavlo Klimkin, para discutir a crise e manifestar o apoio da União Europeia. “A UE condena e não reconhece a anexação ilegal da Crimeia. Nosso apoio é indefectível sobre a integridade territorial e a soberania da Ucrânia”, lembrou a alta representante europeia, em nota oficial. “Toda ação que poderia levar a uma nova escalada no conflito deve ser evitada por todos. A resolução pacífica do conflito é a única saída possível.”

Mais conteúdo sobre:
Ucrânia Rússia Otan

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.