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Rússia espalha fake news para influenciar eleições europeias, dizem investigadores

Sites e contas de redes sociais da extrema direita na Europa repercutem desinformações com a esperança de ampliar a desconfiança nos partidos de centro

The New York Times, O Estado de S.Paulo

13 de maio de 2019 | 05h00

LONDRES - Menos de duas semanas antes das importantes eleições para o Parlamento Europeu, inúmeros sites e contas de redes sociais ligadas à Rússia ou a grupos de extrema direita estão disseminando a desinformação, encorajando discórdia e ampliando a desconfiança nos partidos de centro que governam há décadas.

Investigadores da União Europeia, acadêmicos e grupos de defesa dizem que os novos esforços de desinformação compartilham muitas das mesmas “impressões digitais” ou táticas usadas nos ataques russos anteriores, incluindo a interferência do Kremlin na campanha presidencial dos Estados Unidos em 2016.

Os sites marginais de comentários políticos na Itália, por exemplo, têm as mesmas assinaturas eletrônicas dos sites pró-Kremlin, enquanto alguns grupos políticos alemães dividem os mesmos servidores usados pelos hackers russos que atacaram o Comitê Nacional Democrata dos EUA.

A atividade oferece novas evidências de que, apesar das acusações, expulsões e recriminações, a Rússia permanece resoluta em sua campanha para ampliar as divisões políticas e enfraquecer as instituições ocidentais. Além da Rússia, dizem os pesquisadores, numerosos imitadores frequentemente repetem os pontos de discussão do Kremlin, tornando difícil discernir as divisões entre a propaganda russa, a desinformação de extrema-direita e o genuíno debate político.

“O objetivo aqui é maior do que qualquer eleição”, disse Daniel Jones, ex-analista do FBI e investigador do Senado, cujo grupo sem fins lucrativos, Advance Democracy, recentemente indicou vários sites suspeitos e contas de mídia social a autoridades policiais. “É um divisionismo constante, aumento da desconfiança e solapamento de nossa fé nas instituições e na própria democracia. Eles estão trabalhando para destruir tudo o que foi construído após a 2.ª Guerra.”

As eleições para o Parlamento Europeu, que serão realizadas entre os dias 23 e 26, são vistas como um teste para o crescente populismo na União Europeia. Líderes populistas, muitos deles simpatizantes da Rússia, uniram-se informalmente na esperança de expandir sua influência sobre o Parlamento Europeu e, por sua vez, redirecionar ou subverter a formulação de políticas em Bruxelas.

Funcionários da inteligência não acusaram publicamente o Kremlin de apoiar candidatos específicos na Europa da mesma maneira que as autoridades americanas dizem que o presidente Vladimir Putin tentou promover Donald Trump em 2016. Mas os pesquisadores sugerem que as eleições são um grande objetivo para este tipo de campanha: O ponto principal é atrapalhar as conversas, fazer as pessoas questionarem o que é verdadeiro e corroer a confiança.

A Rússia negou as acusações de interferência. “A eleição ainda nem aconteceu e já somos suspeitos de fazer algo errado?”, disse o primeiro-ministro russo, Dmitri Medvedev. “Suspeitar de alguém por um evento que ainda não aconteceu são bobagens paranoicas.”

Distinguir a interferência russa dos cliques ou da indignação política sincera é difícil, mesmo para os serviços de inteligência. A trilha digital geralmente acaba em um dos becos anônimos da internet. Mas as impressões digitais pró-russas existem.

Em 2016, um site italiano chamado “Estou com Putin” apareceu promovendo notícias e críticas pró-russas sobre o Ocidente. O site, agora extinto, compartilhava uma conta de rastreamento do Google com o site oficial da campanha de Matteo Salvini, o vice-premiê de extrema direita e o político mais poderoso da Itália.

Na época, a campanha de Salvini admitiu que um desenvolvedor da web simpático ao grupo havia criado os dois sites, mas disse que não tinha filiação com a página favorável a Putin. Esse mesmo número de rastreamento do Google também está associado ao site do StopEuro, que hoje promove matérias da mídia russa e sites conectados ao Kremlin que criticam a União Europeia. / TRADUÇÃO DE CLAUDIA BOZZO, THE NEW YORK TIMES

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