Chris Ratcliffe / Bloomberg
Chris Ratcliffe / Bloomberg

Rússia está aberta a discutir possível ida de Putin a Washington, diz embaixador russo

Anatoly Antonov ressaltou a importância de ‘lidar com os resultados’ da primeira reunião feita com Trump antes de promover outra; Kremlin ainda não respondeu ao convite do americano

O Estado de S.Paulo

20 Julho 2018 | 10h06

MOSCOU - A Rússia está aberta a discutir uma possível visita do presidente Vladimir Putin a Washington depois do convite feito pelo líder americano, Donald Trump, disse nesta sexta-feira, 20, o embaixador russo nos EUA.

Apesar da confusão sobre o que os dois líderes discutiram a portas fechadas durante uma reunião em Helsinque no começo da semana, o embaixador Anatoly Antonov afirmou que é importante “lidar com os resultados” do primeiro encontro antes de agir muito rápido para promover outro.

Ele alegou que não presenciou o convite de Trump, mas que a Rússia “sempre esteve aberta a essas propostas”. “Estamos prontos para discutir o tema.” No entanto, o Kremlin ainda não respondeu ao convite de Trump.

Antonov deu alguns detalhes sobre o que Trump e Putin abordaram em Helsinque, mas insistiu que as discussões diplomáticas devem permanecer discretas para serem eficazes.

Ele reconheceu que os dois conversaram a respeito de um possível referendo sobre o leste da Ucrânia. “Falaram sobre o assunto”, disse Antonov, sem detalhar se Putin apresentou propostas concretas a Trump a respeito de soluções para o conflito no país.

O presidente americano escreveu em sua conta no Twitter que os dois líderes falaram sobre Ucrânia, mas não mencionou um referendo ou deu detalhes sobre o assunto.

Os EUA e a Rússia estão em lados opostos do conflito ucraniano, que foi desencadeado depois de um protesto contra um presidente pró-Rússia e a anexação da Crimeia em 2014 pelo Estado russo.

Antonov se referiu ao encontro em Helsinque como “um evento chave” na política internacional e riu das insinuações de que os dois presidentes realizaram “pactos secretos”.

Alemanha

A chanceler alemã, Angela Merkel, considerou positiva a realização de uma nova cúpula entre Trump e Putin. "Eu me alegro com cada encontro (...) desde que tenha um diálogo, em particular entre esses dois países. É uma boa coisa para todo o mundo. O fato de que nenhum presidente russo tenha ido aos EUA desde 2005, eu acho, não deve ser a norma", disse ela na entrevista coletiva anual que antecede as férias de governo.

Merkel evitou responder diretamente a perguntas sobre as críticas que Trump lançou contra a Alemanha e contra ela mesma, sobretudo, em questões comerciais, imigração e gastos militares. Contudo, ela prometeu continuar trabalhando para manter o elo transatlântico.

"É verdade que podemos dizer que o quadro habitual (de relações) está sob pressão, mas, para nós, a cooperação transatlântica, especialmente com o presidente dos EUA, continua a ser central.” / AP e AFP

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