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Rússia está disposta a sediar diálogo entre rebeldes e governo de Damasco

Enviado russo da ONU quer conversa entre oposição e governo de Assad para transição política

estadão.com.br,

25 de julho de 2012 | 18h30

NAÇÕES UNIDAS - A Rússia está pronta para ser a anfitriã de conversas entre a oposição síria e o governo do presidente Bashar Assad, em uma tentativa de encerrar o conflito, informou o enviado russo na Organização das Nações Unidas (ONU) nesta quarta-feira, 25. O embaixador Vitaly Churkin fez a oferta enquanto acusava os Estados Unidos e países europeus de aumentarem a pressão contra Assad fora do Conselho de Segurança (CS) da ONU.

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A Rússia tenta reconquistar a iniciativa diplomática desde que vetou uma resolução no CS, que ameaçaria Assad com sanções. A Rússia fará pressão por um diálogo "inter sírio", declarou Churkin durante um debate do conselho sobre o Oriente Médio.

"Para avançar neste sentido, estamos prontos a oferecer à oposição e ao governo uma plataforma em Moscou para forjar contatos para unificar a oposição e para negociações com o governo", disse ele. Os grupos de oposição estão divididos, mas quase todos dizem que não pode haver negociações para um acordo político se Assad se mantiver no poder.

A Rússia vem protegendo seu antigo aliado da era soviética e na semana passada, junto com a China, vetou uma resolução no Conselho de Segurança sobre a Síria pela terceira vez. As consequências dos vetos são "claras", afirmou o embaixador britânico na ONU Mark Lyall Grant, destacando a ocorrência de "mais violência e derramamento de sangue e a situação de deterioração que agora está se espalhando além das fronteiras e sugando a região".

Os Estados Unidos, o Reino Unido e a Alemanha já disseram que vão buscar ações contra o governo Sírio fora do conselho, embora todos tenham negado o envio de ajuda militar à oposição síria. Segundo Churkin, a ação ocidental "leva a uma intensificação do confronto". "Os Estados Unidos falaram sobre sua intenção de contornar o Conselho de Segurança", disse o enviado russo. "Na verdade, não há nada de novo nisso. Tal política tem sido seguida por Washington e por uma série de outras capitais desde o início da crise na Síria e essa postura tem intensificado a crise".

Os países ocidentais "provavelmente terão de arcar com o peso da responsabilidade pelas consequências catastróficas desses atos", afirmou Churkin.

Durante a reunião, o Brasil reiterou que considera a transição política na Síria a melhor possibilidade de evitar mais violência. "Um cessar-fogo urgente é imperativo e isso requer um apoio resoluto ao Enviado Especial Conjunto Kofi Annan, ao seu plano de seis pontos e ao Comunicado Final do Grupo de Ação de Genebra. Este Conselho deve se esforçar ainda mais para cumprir com as suas responsabilidades a esse respeito. O Brasil apoia a abordagem usada pelo Grupo de Ação e encoraja fortemente o Conselho de Segurança a endossar o Comunicado", afirmou a ambaixadora Maria Luiza Viotti, por meio de um comunicado.

Com Dow Jones

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