EFE/ Michael Klimentyev / Sputnik / Kremlin/ Pool
EFE/ Michael Klimentyev / Sputnik / Kremlin/ Pool

Rússia está perto de concluir míssil nuclear hipersônico, diz Putin

Presidente russo informou que grupo de mísseis nucleares hipersônicos significa que seu país agora tem um novo tipo de arma estratégica

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de dezembro de 2018 | 17h39

MOSCOU - O presidente da RússiaVladimir Putin, informou nesta quarta-feira, 26, que a Rússia concluirá seu primeiro grupo de mísseis nucleares hipersônicos no ano que vem, dizendo que a medida significa que seu país agora tem um novo tipo de arma estratégica.

Putin discursou após supervisionar o que o Kremlin diz ter sido um teste prévio do novo sistema, chamado Avangard. “Esse teste, recém-encerrado, terminou com sucesso completo”, disse Putin em uma reunião de governo.

“A partir do próximo ano, 2019, as Forças Armadas da Rússia receberão o novo sistema estratégico intercontinental Avangard... é um grande momento na vida das Forças Armadas e na vida do país. A Rússia obteve um novo tipo de arma estratégica”.

Moscou disse que o novo sistema, uma de várias armas novas que Putin anunciou em março, é altamente manobrável, o que permite que escape de sistemas de defesa antimísseis facilmente.

Putin observou o teste desta quarta-feira remotamente a partir de Moscou. O Kremlin descreveu que o teste, dizendo que um míssil Avangard disparado de um local no sudoeste russo atingiu e destruiu com sucesso um alvo no extremo leste do país.

Em março Putin anunciou uma série de novas armas, inclusive o Avangard, num de seus discursos mais belicosos em anos, dizendo que ele é capaz de atingir quase qualquer ponto do globo e escapar de um escudo de mísseis montado pelos Estados Unidos.

Armas nucleares da Rússia

Em março, Putin disse que seu país estava desenvolvendo apresentou novas armas nucleares, incluindo um míssil de cruzeiro e um drone submarino, ambos de propulsão nuclear, que seriam imunes aos sistemas de detecção inimigos.

Durante seu discurso sobre o estado da nação, o dirigente explicou que o míssil testado em 2017 tem “alcance praticamente ilimitado”, chega a uma grande velocidade e pode entrar em qualquer sistema antimísseis, transformando o escudo americano em algo “inútil”.

O drone submarino tem capacidade para transportar uma ogiva nuclear e poderia alcançar tanto porta-aviões quanto instalações costeiras. A Rússia apresentou também novos mísseis balísticos intercontinentais pesados, chamados Sarmat, que superam o alcance e o número de ogivas de seu antecessor.

“Ninguém no mundo tem algo igual por enquanto. É algo fantástico”, disse Putin em seu discurso, que foi acompanhado por vídeos projetados em uma tela com gráficos da trajetória do míssil sobrevoando o território americano e imagens de testes desses foguetes.

Perigo de escalada

Especialistas ouvidos pela imprensa internacional foram unânimes em dizer que o discurso de março marcava o começo de uma escalada na corrida armamentista, mas eles têm dúvidas se os mísseis já existem. “Essa tecnologia marca uma nova guerra fria e pode alterar o equilíbrio de poder no mundo, mas não está claro se Putin está dizendo que há um item no orçamento dizendo: ‘desenvolver propulsão nuclear para um míssil’, ou se é ‘temos um pronto e podemos usar em breve’”, escreveu em seu perfil no Facebook Douglas Barrie, analista do International Institute for Strategic Studies, em Londres. 

A menos de 20 dias para as eleições presidenciais na Rússia, é provável que Putin esteja usando o discurso patriótico para instigar o nacionalismo bélico russo e levar mais eleitores às urnas. “Ele está dando às pessoas a imagem de um futuro desejado, e isso é atraente para sua audiência doméstica”, disse ao New York Times Aleksei Makarkin, vice-diretor do Center for Political Technologies, centro de estudos de Moscou. “O discurso de Putin é sob medida para mostrar que ele continua sendo a melhor alternativa para melhorar a economia e, ao mesmo tempo, transformar a Rússia em uma fortaleza sitiada.” / REUTERS, AFP e AP

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