Rússia expulsa 4 diplomatas britânicos

Medida é retaliação a uma decisão similar do governo de Londres, que exige extradição de suspeito pela morte de Litvinenko

AP, Efe e Reuters, Moscou, O Estadao de S.Paulo

21 Julho 2007 | 00h00

O governo da Rússia expulsou ontem quatro diplomatas britânicos em retaliação a uma medida semelhante adotada pela Grã-Bretanha na segunda-feira. A iniciativa britânica havia sido tomada por causa da recusa de Moscou de extraditar o empresário e ex-espião da KGB Andrei Lugovoi - acusado pela morte do também ex-espião russo Alexander Litvinenko, em Londres, no ano passado. Trata-se da pior crise diplomática entre os dois países desde 1996, quando o Kremlin expulsou nove diplomatas britânicos acusados de ser espiões."Um comunicado dizendo que quatro funcionários da embaixada da Grã-Bretanha foram declarados persona non grata na Rússia foi entregue ao embaixador britânico", afirmou o porta-voz da chancelaria russa, Mikhail Kamynin. Segundo ele, os britânicos têm dez dias para deixar o país. O Ministério de Relações Exteriores russo também afirmou que o país vai suspender a emissão de vistos para funcionários britânicos e a cooperação na guerra contra o terror. "Sentimos profundamente que as medidas anunciadas por Londres tornem impossível o prosseguimento da cooperação antiterrorista entre os dois países", disse Kamynin. O governo britânico qualificou a decisão do governo da Rússia de "completamente injustificada".O presidente russo, Vladimir Putin, manifestou-se ontem pela primeira vez sobre o impasse diplomático entre os dois países. Putin afirmou estar convencido de que a Rússia e a Grã-Bretanha superarão o que ele chamou de "minicrise". "Acredito que as relações entre os dois países devem voltar ao normal em breve, pois todos estamos interessados nisso."A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, apoiou a posição britânica de pedir a extradição de Lugovoi. "Fazemos um apelo à Rússia para que colabore plenamente", afirmou.As relações entre Londres e Moscou vêm piorando desde a morte de Litvinenko, em 23 de novembro. O russo foi envenenado com a substância radioativa polônio-210 em 1º de novembro, dia em que se encontrou com Lugovoi e com o empresário russo Dmitri Kovtun. Antes de morrer, Litvinenko deixou uma carta acusando Putin de ser responsável pelo envenenamento. Investigadores britânicos encontraram rastros de polônio-210 em vários locais de Londres e no avião no qual Lugovoi viajou de volta para a Rússia. Após meses de investigação, a procuradoria britânica acusou em maio Lugovoi pela morte de Litvinenko e exigiu sua extradição. A Rússia afirmou que sua Constituição não permite a extradição de cidadãos russos. O governo russo, no entanto, já fez diversos pedidos de extradição a Londres, um deles relacionado ao magnata russo Boris Berezovski, adversário político de Putin exilado em Londres. Nenhum dos pedidos foi atendido.

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